"Não estamos livres de blecautes"
Em seu primeiro depoimento sobre o apagão que afetou 18 Estados do país, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), pré-candidata do PT à sucessão presidencial, disse nesta quinta-feira (12) que o país não está livre dos blecautes. "Não estamos livres de blecautes. O que nós temos que fazer é sempre melhorar o sistema".
A ministra, que conversou com os jornalistas após evento em Brasília - onde o governo anunciou queda no desmatamento da Amazônia -, destacou que o melhor a se fazer nesse caso é investir em melhorias no sistema.
Dilma disse também que a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) está apurando as causas do acidente e destacou que o Brasil se encontra em situação muito melhor desde a época do governo de Fernando Henrique Cardoso. "Além do dito pelo ministro Edison Lobão, não temos nada a falar do acidente em si. Tudo o que o governo sabe é o que o Lobão está dizendo", afirmou.
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou hoje que o governo federal encerrou o "problema", ao referir-se ao apagão.
"Buscamos a causa do problema e resolvemos. O problema está encerrado. Cada parte do sistema se empenhou em resolver o problema a tempo", disse o ministro, após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.
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Imagem do radar meteorológico Simepar mostra raios (em azul) e chuva em Itaberá (SP) na noite desta terça-feira (10), onde fica uma das linhas de transmissão que teria sido afetada. Para os meteorologistas, no entanto, a chuva não foi atípica.
Em entrevista coletiva realizada ontem, Lobão culpou as condições meteorológicas pelo apagão. "Todos chegaram à conclusão que foram descargas atmosféricas, ventos e chuvas muito fortes na região de Itaberá (SP). Houve uma concentração desses fenômenos atmosféricos ali. O que provocou um curto circuito nos três circuitos que levam a Itaberá, que vêm de Itaipu", disse. Na ocasião, nenhuma medida emergencial para evitar que o problema se repita ficou estabelecida.
Apagões anterioresDe acordo com a ministra, o apagão de terça-feira não pode ser comparado ao de 1999. Naquele ano, 10 Estados foram atingidos por um blecaute - o governo atribuiu o fato a um raio na região de Bauru (SP). Em 2001 um novo blecaute institui uma nova política de racionamento no país.
"O racionamento aconteceu porque o país não tinha energia suficiente", afirmou. "Esse tipo de polêmica não interessa. Não se pode politizar uma questão tão séria para o país. Não é republicano fazer isso", disse, referindo-se aos ataques da oposição após o blecaute.
A oposição tenta responsabilizar Dilma pelo blecaute, já que a ministra esteve à frente de Minas e Energia de 2003 a julho de 2005.
Em nota, o vice-presidente do DEM, deputado José Carlos Aleluia (BA), diz que Dilma deve explicações sobre o modelo de setor elétrico adotado no país.
"O Democratas espera que a ministra assuma as suas responsabilidades, uma vez que, tão grave quanto ser culpada pela imposição de um modelo equivocado, é fugir na hora de explicar à nação o que realmente aconteceu e está acontecendo no sistema de abastecimento de energia", diz Aleluia em nota.
O
jornal "Folha de S.Paulo" afirma que a ausência de Dilma nas explicações dadas ontem pelo governo não se restringe apenas à estratégia de mantê-la longe do noticiário negativo, mas sim reduzir drasticamente a participação nas questões operacionais do governo.
- Fonte: Sigel e Itaipu Binacional