As explicações do Crea para o acidente
Após uma vistoria feita na manhã desta segunda-feira (16) no canteiro das obras do trecho sul do Rodoanel, membros do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea-SP) consideram que há uma "possibilidade enorme" de o desabamento do viaduto no quilômetro 279 da rodovia Régis Bittencourt ter sido causado por uma decisão equivocada da empreiteira no momento de instalação das vigas de sustentação da estrutura.
Segundo o presidente da entidade, o engenheiro civil José Tadeu da Silva, o projeto pedia a aplicação de cinco vigas no trecho danificado na última sexta-feira, que deveriam ser presas ao concreto de uma vez só. Como ele explicou, no entanto, apenas quatro foram usadas pelos técnicos responsáveis, já que a quinta teria sido danificada quando era transportada para a obra. "O normal é que se coloque as cinco peças juntas, no mesmo dia. Ficou dois, três dias sem a quinta peça, que fica na borda e dá sustentação para o conjunto", argumentou.
Sobrevivente descreve o desabamento
Para o engenheiro, nesse caso, ao ficar sabendo que não seria possível colocar todas as vigas em uma mesma oportunidade, todo o processo deveria ter sido suspenso. "O certo seria esperar e, no dia seguinte ou quando chegasse a peça, fazer tudo de uma vez só. Mesmo com uma boa amarração, a ausência da quinta viga prejudica a sustentação. Quando você não coloca todas juntas, cria a possibilidade do peso próprio da viga (85 toneladas) e a trepidação dos caminhões que passam em baixo do viaduto gerarem um deslocamento", diz José Tadeu da Silva, que ainda pretende esperar o resultado das perícias para dar sua conclusão sobre o caso. "Serão feitos vários estudos", contou.
O Crea-SP anunciou também que uma comissão de cinco engenheiros da entidade está reunindo todas as informações sobre o incidente que deixou três pessoas feridas. Serão feitos testes de resistência e cálculos para avaliar a pertinência dos materiais usados na estrutura. José Tadeu da Silva afirmou ainda que deverão ser ouvidos os engenheiros responsáveis pelo trecho. "Nossa função é fazer a apuração administrativa, que depois pode ser enviada para os órgãos que vão fazer as investigações penais e criminais", alegou.
HistóricoO acidente no Rodoanel aconteceu na última sexta-feira (13) à noite, em um viaduto de 680 metros localizado na altura do quilômetro 279 da rodovia Régis Bittencourt, em Embu, na grande São Paulo. Na ocasião, três vigas das quatro instaladas caíram de uma altura de 20 metros na pista sentido capital. Seria sobre a estrutura delas que seria montado o futuro pavimento do Rodoanel, uma responsabilidade do consórcio formado pelas empresas OAS/Mendes Jr./Carioca.
Três pessoas que estavam em carros passando pela Régis no momento do desabamento ficaram feridas e tiveram de ser atendidas em hospitais. Os veículos atingidos também foram destruídos. As vítimas são o ferramenteiro Carlos Fernando Rangel, 38, que teve uma fratura no punho esquerdo, o caminhoneiro Reginaldo Aparecido Pereira, 40, e a estudante Luana Augusto Coradi, 21. Desde o episódio, as obras estão suspensas e só deverão ser retomadas após um laudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).