UOL Notícias Cotidiano
 

20/11/2009 - 20h32

"De repente, o teto veio abaixo", diz cliente após desabamento de teto do shopping SP Market

Arthur Guimarães
Rosanne D'Agostino
Do UOL Notícias
Em São Paulo
Atualizado às 21h52

Assustados após o desabamento de uma parte do teto do shopping SP Market, que deixou oito feridos na tarde desta sexta-feira (20), na zona sul de São Paulo, frequentadores relataram momentos de pânico no local.

Segundo acidente em menos de um mês

  • Muro teria caído com os fortes ventos e pela chuva que atingiu a capital paulista na tarde desta sexta-feira (20). No dia 24 de outubro, uma obra externa desabou no mesmo local e feriu quatro pessoas


"De repente, o teto veio abaixo, levantou uma poeira enorme", disse Paulo Rosati Jr, 40, empresário, que almoçava perto do bar Brahma no momento do acidente. Ele afirma ter ouvido um barulho muito mais alto após o início da chuva. Em seguida, ouviu estalos. Após o desabamaneto, Rosati viu uma senhora sendo retirada com a testa sangrando e outro rapaz com um corte profundo da testa até a nuca, também sangrando.

Lilian Lira, 27, também almoçava no momento do acidente. "Ouvi um primeiro estrondo, parecia um trovão, mas, na verdade, era a parede da obra de ampliação caindo sobre o andaime. Este, por sua vez, provocou outro estrondo muito mais forte, e aí a correria foi geral de quem estava na praça de alimentação", contou em relato enviado ao UOL Notícias.

Segundo a cliente, "o pior ocorreu mesmo no terceiro estrondo, quando peças do andaime derrubaram o forro antigo de zinco, desabando em toda a área compreendida pelo Café do Ponto, Gelateria Parmalat, Bar Brahma, Burguer King, e as frentes das lojas C&A, Casas Bahia e o Parque da Xuxa".

"A sorte foi que, no segundo estrondo, as pessoas tiveram a reação de correr e sair do local. Algumas foram pisoteadas. Fui correndo para o local para ajudar as vítimas e percebi que a situação mais grave era das pessoas que estavam no Café do Ponto", diz Lilian. Ela conta que, dentro desta loja, parte da estrutura desabou e havia restos de tijolos e zinco em toda parte. "Ajudei a socorrer cinco pessoas, duas senhoras, uma adolescente e dois rapazes, sendo que as senhoras exigiam mais atenção."

Jaqueline de Moraes, 22, gerente do Café do Ponto, diz que sua loja ficou totalmente destruída e que, há um mês, avisou a administradora do shopping sobre o teto de seu estabelecimento, que estava inclinado. "Não fizeram nada." Duas de suas funcionárias ficaram feridas. Uma delas, Aline Cesar da Silva, 22, estava grávida.

A dona de casa Kátia Silene Pedrosa, 34, estava indo ao caixa eletrônico quando escutou um barulho. Ela estava com a filha de seis meses no colo e, em poucos instantes, viu-se envolta à água que se espalhou em razão do rompimento das tubulações.

Segundo ela, as pessoas começaram a correr para todo lado, muitas delas, em direção ao próprio desabamento. "Não teve aviso nenhum sobre o que tinha acontecido, ninguém controlava, foi um pânico geral", afirma. Kátia também não conseguiu pegar no carro no estacionamento em razão do caixa, que ficou lotado de pessoas que não conseguiam validar seus tickets.

Segundo a internauta Lilian, o shopping tinha apenas um único médico para socorrer que não dava conta. "Faltavam inclusive materiais de primeiros socorros, como gases, soro, iodo. O filho da senhora que estava mais grave foi quem correu até a farmácia e comprou os materiais, enquanto eu e o médico tentávamos estancar o corte profundo do lado esquerdo na cabeça. Ela chegou a desmaiar, o que mais me preocupou, porque não tínhamos sequer medidor de pressão. Ela ficou inconsciente por uns dois minutos até voltar a si."

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Ainda conforme Lilian, as viaturas de socorro demoraram cerca de 20 minutos para chegar até o local. "Enquanto isso, socorríamos as pessoas nos bancos do shopping sem nenhuma higiene, pois nem luvas eles tinham para nos fornecer. Chegou apenas uma maca, onde imobilizamos a senhora, que foi encaminhada junto com seu filho para um hospital particular, do convênio deles."

"Engenharia da pressa"
Adriana Rocha Brito, gerente da loja Pucket, afirma que as obras estão sendo feitas na "engenharia da pressa, correndo para ficar prontas para o Natal". Depois do último desabamento, ocorrido em 24 de outubro deste ano, ela afirma que organizou um abaixo-assinado, em que 500 pessoas pediam a redução do aluguel por conta da queda de frequentadores, o aumento do número de eventos para atrair clientes e mais segurança para a obra.

"Frequentemente caem detritos do teto na praça de alimentação, é comum pessoas caírem nos corredores, muitos ainda estão em reforma", diz Adriana. A gerente afirma que a administradora do shopping aplicou-lhe uma multa de R$ 12 mil, alegando que a convenção do estabelecimento diz que os lojistas não podem fazer motim.

"Sei inclusive de um abaixo assinado para que esta obra seja embargada e feita com segurança para seus clientes, pois não é o que ocorre hoje. Pode-se perceber inclusive pela falta de sinalização e por materiais da própria obra que já atingiram carros estacionados em locais que eles dizem ser 'seguros'. Além da rampa próxima do supermercado que caiu por completo no mês anterior", complementa Lilian.

O shopping não se pronunciou sobre a multa. O administração divulgou uma nota oficial afirmando que "estará reavaliando e apurando os procedimentos das construtoras envolvidas nas obras de expansão do empreendimento".

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