Atualizado às 22h46Parte do local atingido por um desabamento nesta sexta-feira (20) no shopping SP Market, na zona sul de São Paulo, foi interditado após vistoria da Defesa Civil e da Polícia Científica no local. Ao menos oito pessoas ficaram feridas. De acordo com o Corpo de Bombeiros, todas foram socorridas. A Defesa Civil afirmou que só vai se pronunciar sobre o caso neste sábado (21).
Segundo acidente em menos de um mês
Foram interditados um corredor de 100 metros quadrados, três lojas atingidas e parte da praça de alimentação. Neste sábado (21) o shopping funciona normalmente. Em nota oficial, o prefeito Gilberto Kassab afirmou que vai vistoriar o local na manhã de sábado. Também estará presente o secretário de Controle Urbano da cidade, Orlando Almeida, que
convocou os responsáveis do shopping e da obra de expansão do empreendimento a comparecer.
Segundo o shopping, o acidente teria sido ocasionado pelos fortes ventos e pela chuva que atingiram a capital paulista no início da tarde. Um muro, de cerca de 30 metros quadrados, que estava sendo erguido na cobertura do estabelecimento como parte das obras de expansão do empreendimento, caiu sobre o forro interno, desabando sobre as lojas e atingindo uma área de 300 metros, próxima à praça de alimentação.
Na queda, os detritos quebraram tubulações de água, e a luz de um parque de diversões chegou a ser cortada. Houve tumulto. Quatro lojas foram danificadas, segundo os bombeiros, mas ainda não há informações sobre prejuízos dos lojistas.
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, todas as vítimas chegaram conscientes a hospitais da região. Entre os feridos estava uma mulher grávida e uma adolescente de 12 anos, com um corte profundo na cabeça.
Peritos do IC (Instituto de Criminalística) vistoriaram o shopping e determinaram a demolição da estrutura restante do muro que caiu. A perícia terminou por volta das 19h, e além do exame do local onde ocorreu o acidente, foram recolhidos fragmentos do muro, que serão encaminhados para análise.
Segundo acidente em menos de um mêsEm nota oficial, a MPD Engenharia, responsável pela obra de expansão do shopping, informa que uma parede que estava sendo construída caiu em decorrência das chuvas e dos ventos. "Ela atingiu uma pequena parte da cobertura do shopping, que veio a ceder, causando ferimentos leves em cinco pessoas. Todas foram prontamente atendidas e encaminhadas aos pronto-socorros da região", diz o comunicado.
Você Manda: envie fotos e vídeos do desabamento
A MPD alega ainda que a área atingida não tem ligação alguma com a área em obras do empreendimento, sendo os dois prédios isolados um do outro. A empresa se refere à obra externa que desabou parcialmente no dia 24 de outubro, deixando quatro operários levemente feridos. À época, a MPG informou que o acidente foi causado por "uma peça do andaime da forma da laje externa que se desprendeu".
"É importante ressaltar que o incidente não abalou as estruturas do empreendimento, que teve apenas uma pequena área interditada, e continua funcionando normalmente", diz a nota. Quando houve o outro acidente, a Prefeitura de São Paulo determinou a paralisação das obras e a interdição provisória do local. O shopping não foi fechado e funciona normalmente.
O administração do shopping também divulgou uma nota oficial afirmando que "estará reavaliando e apurando os procedimentos das construtoras envolvidas nas obras de expansão do empreendimento".
Lojistas e clientes relatam pânicoPaulo Rosati Jr, 40, empresário, almoçava perto do bar Brahma no momento do acidente. Ele afirma ter ouvido um barulho muito mais alto após o início da chuva. Em seguida, ouviu estalos. "De repente, o teto veio abaixo, levantou uma poeira enorme", disse. O empresário diz ainda ter visto uma senhora sendo retirada com a testa sangrando e outro rapaz com um corte profundo da testa até a nuca, também sangrando.
Jaqueline de Moraes, 22, gerente do Café do Ponto, diz que sua loja ficou totalmente destruída e que, há um mês, avisou a administradora do shopping sobre o teto de seu estabelecimento, que estava inclinado. "Não fizeram nada." Duas de suas funcionárias ficaram feridas. Uma delas, Aline Cesar da Silva, 22, estava grávida.
Além desta loja, também foram atingidas a gelateria Parmalat e a C&A. Os bombeiros afirmam que houve prejuízos na estrutura de quatro lojas. A área atingida está isolada, mas o shopping continua aberto. Oito carros da corporação dirigiram-se ao local. O Samu também foi acionado.
A dona de casa Kátia Silene Pedrosa, 34, estava indo ao caixa eletrônico quando escutou um barulho. Ela estava com a filha de seis meses no colo e, em poucos instantes, viu-se envolta à água que se espalhou em razão do rompimento das tubulações.
Segundo ela, as pessoas começaram a correr para todo lado, muitas delas, em direção ao próprio desabamento. "Não teve aviso nenhum sobre o que tinha acontecido, ninguém controlava, foi um pânico geral", afirma. Kátia também não conseguiu pegar no carro no estacionamento em razão do caixa, que ficou lotado de pessoas que não conseguiam validar seus tickets.