UOL Notícias Cotidiano
 

26/11/2009 - 12h03

Sistema de segurança para evitar apagões custaria R$ 600 milhões por mês, diz ONS

Piero Locatelli
Do UOL Notícias
Em Brasília
Um sistema de segurança para garantir que não aconteçam novos apagões como o ocorrido no último dia 10 de novembro em 18 Estados custaria R$ 600 milhões mensalmente, segundo Hermes Chipp, diretor-geral do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico). O diretor fez as afirmações nesta quinta-feira (26) no Senado Federal, onde participa de audiência pública das comissões de Assuntos Econômicos e Infraestrutura.

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  • As explicações do governo para o apagão que deixou 18 Estados às escuras


Um sistema para garantir o fornecimento no caso de uma pane na usina de Itaipu teria de gerar 4.000 megawatts de energia com usinas térmicas. Essa quantidade é equivalente a que chega na subestação de Tijuco Preto (Mogi das Cruzes, SP), uma das atingidas durante o apagão. Para o diretor do ONS, o sistema é inviável economicamente.

"Imagine o que é gerar R$ 600 milhões de custo para prover um sistema de segurança de uma situação que nunca aconteceu. Isso é antieconômico", disse o diretor. "Para evitar essa contingência de probabilidade remotíssima, não se espera que você gere um custo desses."

Chipp afirmou que para implantar esse sistema o custo seria repassado ao consumidor, que pagaria uma tarifa muito cara.

Para Luiz Pinguelli Rosa, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ex-presidente da Eletrobrás, que também está presente na audiência, a tarifa brasileira já é muito cara. Segundo Pinguelli, o consumidor brasileiro paga mais do que o japonês para ter energia em sua casa.

Apagão no Brasil

  • Caio Guatelli/Folha Imagem - arquivo

    Av. Nove de Julho, em São Paulo, é iluminada por faróis de carros e geradores de prédios

"Eu acho que essa tarifa é cara. O papel [do governo] era reduzir a tarifa e dar mais consistência ao sistema", disse.

Apesar de afirmar que um sistema para impedir um novo apagão não é viável, Chipp disse que não ficou satisfeito com o tempo de recomposição das linhas e deve trabalhar para aprimorar esse sistema. Foram mais de quatro horas para que a energia elétrica fosse restabelecida completamente no país.

A audiência pública sobre o apagão foi esvaziada. Com a presença de sete senadores no início da sessão, somente três deles, todos da base governista, estavam presentes duas horas depois.

Convidado para a audiência, o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) não compareceu pois está em viagem a Suécia, onde visita projetos de energia renovável. Está presente o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmerman.

Causa "inédita"
Hermes Chipp disse que os investimentos feitos no setor elétrico nos últimos anos evitaram um apagão como os de 1999 e 2002. Chipp também afirmou que as causas do último apagão são inéditas.

"Os investimentos evitaram que se propagasse como 1999 e 2002, quando as contingências foram menos severas e os efeitos mais severos", disse o diretor.

Segundo Chipp, o evento deste ano não é comparável ao anterior, pois este ano menos regiões foram afetadas.

"Naquelas ocasiões [1999 e 2002] desligou-se com impacto significativo em todas as regiões do país e desta vez Sul, Norte, Nordeste e boa parte do Sudeste foram preservados", diz Chipp.

Chipp reafirmou a posição do governo de que não haveria como ter um sistema mais seguro sem um aumento muito grande na conta de luz.

"[Aconteceu uma] contingência que eu com 40 anos de profissão nunca vi igual", disse Chip. O diretor-geral afirmou que o relatório final do apagão será concluído em 4 de dezembro, e, então, encaminhado ao Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico. Legalmente, o documento por ser entregue até 15 de dezembro.

  • O governo atribui o apagão ao desligamento de três linhas de transmissão: duas que ligam Ivaiporã (PR) a Itaberá (SP) e uma que liga Itaberá à subestação de Tijuco Preto (SP)

  • Fonte: Sigel e Itaipu Binacional

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