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09/12/2009 - 20h14

Celebração religiosa deve marcar julgamento de réu confesso do assassinato de irmã Dorothy

Amanda Mota
Enviada Especial a Belém
Da Agência Brasil
Uma celebração inter-religiosa será promovida por populares, missionários e representantes de movimentos sociais diversos em frente ao Fórum Criminal de Belém, nesta quinta-feira (10), a partir das 8h30 (horário de Brasília), para chamar novamente a atenção para os conflitos agrários no interior do Pará que, em 2005, levaram à morte a freira norte-americana Dorothy Stang.

A celebração começa meia hora antes do início do novo julgamento do réu confesso do assassinato da missionária, Rayfran das Neves Sales. Na opinião de Virgínia Moraes, que integra a coordenação do Comitê Dorothy Stang, o crime que causou a morte da missionária norte-americana não é comum, como a defesa de Rayfran das Neves alega. Isso porque, de acordo com Virgínia, relaciona-se aos conflitos agrários existentes no estado do Pará.

"Trata-se de um crime emblemático, inserido em um contexto de luta pela posse da terra. Nossa expectativa é que a condenação do Rayfran e o cumprimento da pena confirmem que esse é um crime de mando e que, por trás dele, existe uma rede criminosa no campo e que precisa ser desarticulada", destacou.

A freira Jane Dwyer, que também trabalha como missionária na região de Anapu e Altamira e morava na mesma casa que Dorothy Stang, disse que, apesar da repercussão que ganhou o caso Irmã Dorothy, os missionários e os trabalhadores da região continuam se sentindo ameaçados. Ela relatou que a situação de conflito pela posse da terra está cada vez pior. Segundo irmã Jane, "é preciso que o governo e a Justiça voltem um olhar mais atencioso ao povo da região".

"Esse crime tem mandante, executor e intermediário. O povo não pode ser iludido quanto a isso. A Dorothy era uma mulher corajosa e, sobretudo, comprometida com a batalha contra o que faz sofrer o povo daquela área. Ela buscava vida para o povo e para a floresta", afirmou.

A religiosa também lembrou que, nesta quinta, a Declaração Universal dos Direitos Humanos completará 61 anos. "Para nós, ao dizer que não foi feito nenhum acordo financeiro em troca do assassinato da irmã Dorothy, o Rayfran pretende criar uma nova situação e querendo dar nova definição para o que houve. Achamos, inclusive, que isso faz parte de um novo acerto que ele fez com os mandantes do assassinato e que deverá receber ainda mais dinheiro por isso", finalizou Jane Dwyer.

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