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31/05/2009 - 07h01

Reparos em casas interditadas pela chuva em Jaraguá do Sul (SC) devem demorar dois anos

Gabriela Sylos
Enviada especial do UOL Notícias
Em Jaraguá do Sul (SC)
  • Arte UOL
As enchentes que atingiram o município de Jaraguá do Sul (182 km de Florianópolis) estão completando seis meses, mas apenas na semana passada técnicos da Defesa Civil saíram a campo para iniciar as vistorias das casas atingidas por deslizamentos. Muitas já foram analisadas e estão interditadas, mas agora é preciso avaliar o que será feito com elas: se passarão por reforma ou se serão demolidas. Não há previsão para se fazer os reparos. O governo municipal acredita que o trabalho pode levar dois anos para ser concluído.

"Existem as vistorias de rotina, novos deslizamentos, novas ocorrências, novas situações", afirma o diretor da Secretaria Extraordinária de Reconstrução, Ronis Roberto Bosse, ao tentar explicar o atraso no serviço.

Morando de aluguel perto da prefeitura, Aquilino Micheluzzi, 54, olha para sua casa com desolação. Ela não foi afetada pelo deslizamento, mas está interditada por estar muito próxima a uma encosta que desabou. "A Defesa Civil disse que, depois que eles mexerem na barreira, eu vou poder voltar, mas está muito devagar isso", reclama . "O povo está muito revoltado, quando a gente precisa deles é difícil."
  • Reuters

    Uma faixa amarela e preta interdita a entrada da casa de Creusa de Melo, mas ela costuma frequentá-la todo dia para tomar banho e lavar roupa


O secretário municipal da Reconstrução, Ingo Paulo Robl, acredita que cerca de 50% das famílias que hoje estão com as casas interditadas poderão voltar após "pequenas obras". O secretário, entretanto, assume que este processo deve demorar. Robl culpa o repasse lento de recursos provenientes do Estado. "Falta tudo: falta areia, falta brita, falta cimento, falta tubo, falta máquina", reclama.

Enquanto Aquilino espera a liberação de sua casa, vive com o dinheiro que ganha como jardineiro e com o auxílio-moradia que recebe do município. Com cerca de R$ 400 ele aluga uma casa menor nas redondezas. Daqui a três meses ele deixará de receber o benefício e não sabe se poderá voltar ou não para sua residência. "A gente trabalhou uma vida toda só nisso aqui. Não temos mais nada", afirma.

Quem teve algum prejuízo com a casa e tem renda familiar de até sete salários mínimos está recebendo da prefeitura de Jaraguá do Sul seis parcelas do auxílio moradia mensal de R$ 400 a R$ 600. O beneficio começou a ser pago em janeiro, mas algumas pessoas se cadastraram nos meses posteriores. Ao todo, 119 famílias estão no programa. O auxílio poderá ser prorrogado por até mais seis meses, avaliando-se caso a caso.

Creusa de Melo, 47, dona-de-casa, também teve que recorrer à prefeitura. Ela está pagando R$ 400 por mês para dividir a casa com uma vizinha. Sua antiga moradia está no pé de um barranco que deslizou. Uma faixa amarela e preta interdita a entrada, mas ela costuma frequentar a casa todo dia para tomar banho e lavar roupa. "A Defesa Civil autorizou, mas em dia de chuva tem que ficar longe", comenta. "Eles falaram que vão arranjar outro lugar para nós, que é para dar um tempo para eles, que não era para mexer lá", afirma. "Tudo o que eu quero é minha casa de volta."

Creusa ainda tem mais três meses de auxílio-moradia. Questionada sobre o que faria sem o benefício e sem a casa liberada, ela demora a responder: "Eu não sei. Acho que eu volto lá, mesmo no risco."

Além dos reparos em casas atingidas, a prefeitura calcula que 155 moradias terão que ser construídas: 30 foram doadas à cidade e a Cohab/SC vai financiar a construção de outras 125. As casas doadas serão distribuídas de acordo com a situação socioeconômica das pessoas cadastradas, além de alguns critérios como pessoas doentes na família e tempo de moradia na cidade.





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