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01/06/2009 - 07h11

Defesa Civil de Blumenau (SC) não tem previsão para finalizar relatório sobre áreas de risco

Gabriela Sylos
Enviada especial do UOL Notícias
Em Blumenau (SC)
No jardim de sua casa, o artista plástico Valdoir Almeida Melo, 31, pinta tranquilamente um mural de festa infantil. Ao redor dali é possível contar ao menos sete casas atingidas pelos deslizamentos que castigaram o bairro de Escola Agrícola, em Blumenau (139 km de Florianópolis), em novembro de 2008. Algumas das residências estão sem uma das paredes, sem parte do telhado ou simplesmente sumiram com a força da terra que desceu a ladeira.

O bairro está incrustado em um morro e aquela área, conhecida também como Coripós, é uma das 79 interditadas pela Defesa Civil por serem consideradas de alto risco. "Até agora ninguém veio aqui para dizer que a gente tem que sair. Como a nossa casa não foi atingida, nós ficamos", conta Valdoir. Ele viu a casa dos vizinhos ser levada pelas chuvas. "Acho que não vem ao caso, mas a gente é crente e acredita que Deus protegeu nossa casa", afirma, tímido.

Um decreto municipal feito em novembro interditou diversas áreas de risco de Blumenau, retirando moradores dos locais mais críticos da cidade. Porém, o governo ainda precisa elaborar um relatório completo mapeando todas as regiões. Segundo a Defesa Civil, entretanto, não há uma data para a finalização do documento.

  • Flávio Florido/UOL

    Diversas casas do bairro Escola Agrícola ficaram destruídas com os deslizamentos


Atualmente há equipes técnicas, com geólogos e engenheiros, fazendo vistoria e examinando os locais atingidos. "Há casos em que a casa ficou intacta, mas há fissuras no morro que, sob chuva de pequena intensidade, vai fazer [a terra] se movimentar novamente", afirma Jairo César, secretário da Defesa Civil municipal. "São muitas áreas e não é fácil achar geólogos no mercado, por exemplo. (...) Ele tem que ter coragem para emitir um laudo, porque isso envolve uma grande responsabilidade".

Questionado sobre a fiscalização para evitar que moradores voltem a ocupar regiões proibidas, Jairo diz que trabalha na base do "convencimento". "Os geólogos passam pelos locais, explicam o perigo que a pessoa está correndo. A maioria compreendeu e está em abrigo, mas ainda há alguns remanescentes", explica o secretário.

Quando as áreas de risco estiverem definidas, a Defesa Civil pretende trabalhar no intuito de "apagá-las do mapa", para que não sejam mais ocupadas. "Não vai mais ser fornecido serviço de água e luz para essa residência, por exemplo, porque ela será uma área não legalizada", afirma César.





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