Para criminalistas, defesa não conseguiu reverter vantagem da acusação em caso popular
Fabiana Uchinaka
Do UOL Notícias
Em São Paulo
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Diante de todos os argumentos e provas apresentados durante os cincos dias do julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, a sensação que fica entre os especialistas é a de que, apesar do alto nível do debate e das boas estratégias adotadas, a defesa não conseguiu reverter a vantagem que a acusação tinha por este ser um caso de grande repercussão na mídia e que mobilizou o país contra os réus.
“Acho muito difícil dizer que este julgamento foi justo, por conta da divulgação e da conotação dada pela mídia. Não é um julgamento totalmente sereno, é um julgamento de cartas marcadas. Houve um prejuízo à defesa, porque a divulgação feita foi em favor da condenação”, afirmou a advogada criminalista Heloísa Estellita.
Segundo ela, pelo que foi possível acompanhar pela imprensa, as provas apresentadas não são suficientes para determinar a autoria do crime. “O Ministério Público defende que as provas envolvem o pai e, embora não haja prova, as circunstâncias mostram que a madrasta estaria envolvida no crime. Mas não dá para dizer se foram os dois ou apenas um deles. Ou mesmo se foram eles. Condenar, quando um deles pode ser inocente, é injusto. Estamos condenando um inocente”, defendeu.
A advogada afirmou que a acusação e a defesa adotaram estratégias competentes e que tanto o procurador Francisco Cembranelli quanto o advogado de defesa Roberto Podval “fizeram o que podiam fazer”. Para ela, no entanto, a polícia falhou ao conduzir a investigação.
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“Eu concordo com a tese da defesa de que lá no começo, logo que os fatos aconteceram, a polícia fez uma interpretação de que eles eram culpados e buscaram provas da culpa, descartando outra linha de investigação. Com isso, o Podval perdeu uma oportunidade de produzir provas fundamentais para a defesa. Se havia provas, elas estão perdidas”, analisou.
A criminalista explicou que, diante da dúvida, o júri deveria votar pela absolvição. “É preferível soltar um culpado a deixar um inocente preso. Essa é a orientação”, disse.
Mas, para o advogado Frederico Crissiúma de Figueiredo, professor de Direito Processo Penal da PUC-SP, apesar de não ter sido apresentada nenhuma prova cabal, existem provas e indícios, que, pela lei, podem levar a uma condenação.
“No caso de dúvida, o júri tem de absolver. Mas será que a defesa conseguiu incutir essa dúvida? Acho difícil. Por mais que os jurados estejam isolados, este foi um caso muito comentado e eles podem ter sido influenciados, o que dificulta o trabalho da defesa. Mas a falta de uma segunda hipótese plausível é um problema sério. Pela regra, é a acusação que tem que provar, mas ajudaria muito se a defesa tivesse outra versão. Não foram eles? Então o que aconteceu? Falta uma versão alternativa”, comentou.
Crissiúma ressaltou ainda que a delegada Renata Pontes afirmou em depoimento que outras possibilidades foram investigadas, mas que nada foi encontrado. “Pode até ter havido uma falha, mas se eles forem culpados, não dá para inventar uma segunda versão”, concluiu.
Os dois criminalistas acreditam que Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá serão condenados --apesar de Figueiredo apostar que um ou outro jurado vá votar pela inocência do casal e de Estellita defender que a condenação não seja correta.
O casal respondeu pela morte de Isabella Nardoni, 5, que caiu em março de 2008 da janela do 6º andar do edifício London, onde pai e madrasta moravam. O julgamento começou na segunda-feira (22) e será concluído entra a noite de hoje e a madrugada de sábado.
O promotor do caso, Francisco Cembranelli, defende que Isabella foi jogada pelo pai. Antes, teria sido esganada pela madrasta e agredida por ambos. Já a defesa do casal insiste na tese de que havia uma terceira pessoa no prédio.
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