Junho teve aumento de até 70% nas chuvas em AL e PE
Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias
Em Maceió
O mês de junho de 2010 registrou chuvas bem acima da média histórica nos Estados de Pernambuco e Alagoas, que estão com 27 municípios em calamidade pública por conta das enchentes. Segundo dados do Lapis (Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites), localizado na Universidade Federal de Alagoas, o volume de chuvas este ano está até 70% maior que o registrado em 2009.
De acordo com os pluviômetros instalados em vários municípios nordestinos, a região que registrou maior quantidade de chuvas é o norte de Alagoas. A estação de São Luiz do Quitunde registrou 575 mm (o que corresponde a 575 litros para cada m²) de precipitações até a última terça-feira (29).
Curiosamente a região não é uma das mais afetadas pelas enchentes que deixaram 37 mortos e 69 desaparecidos no Estado. Os vales do Mundaú e Paraíba, nas regiões da zona da mata e agreste, respectivamente, são as que registram maior destruição.
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As regiões metropolitanas de Maceió e do Recife também registraram chuvas acima da média este mês, com precipitações de 526 mm e 501 mm, respectivamente.
Segundo o coordenador do Lapis, Humberto Barbosa, vários fatores contribuíram para o volume excessivo de chuva, entre elas o aumento de 1,5 ºC da temperatura média da região. “O mês de junho representa o pico da estação chuvosa da região costeira do Nordeste. O pico dessa estação coincide com temperaturas da superfície do mar próxima à costa leste. As temperaturas acima da média ajudam a intensificar as chuvas na região”, explicou.
Outro fator apontado como importante para a quantidade de chuvas é o surgimento de um novo fenômeno natural. “Desde o início de junho, o El Niño – que provoca seca no Nordeste – enfraqueceu e no momento a La Niña – que provoca chuvas acima da media – está ganhando força na região central do Pacifico”, afirmou.
Segundo Barbosa, as chuvas fortes no norte de Alagoas não causaram tanto estragos nos municípios por conta de fatores geográficos e de ocupação urbana. “Em parte, isso pode ser explicado porque as regiões que foram afetadas pelas enchentes são regiões ribeirinhas, com alto índice de vulnerabilidade. Os rios desta região também têm sido afetados pela ocupação desordenada, desmatamento e outros fatores ambientais”, exemplificou.
A Defesa Civil de Alagoas informou que já foi alertada da quantidade de chuvas que já caiu e deve cair durante o inverno deste ano. “Sabemos da ocorrência de chuvas intensas, que inclusive já saturaram o solo. Realizamos um trabalho preventivo e estamos monitorando. Hoje, por conta da destruição em outras regiões, nossas equipes estão direcionadas a prestar socorro às vítimas”, afirmou o major do Corpo de Bombeiros, Sandro Cavalcante.
O professor Humberto Barbosa assegura ainda que o Nordeste precisa de um “núcleo de pesquisa e aplicação de geotecnologias de desastres naturais e eventos extremos”. “A tendência é que eventos extremos aumentem na região Nordeste do Brasil. O que ocorreu entre os dias 18 e 19 de junho no interior de Pernambuco foi um evento extremo, que poderia ter sido minimizado, caso possuíssemos esse núcleo”, disse.
A Agência Nacional das Águas informou que está realizando estudos em Alagoas para a instalação de um sistema de alerta de enchentes. Estações de medição devem ser montadas ao longo dos leitos dos rios Mundaú e Paraíba, a fim de monitorarem a quantidade de chuva e a vazão dos rios, alertando assim para a necessidade de evacuação de áreas de risco. Pessoas dessas cidades devem ser treinadas para atuarem em caso de inundações.
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