Já são 13 shoppings assaltados em SP neste ano; especialista analisa medidas de segurança
Fabiana Uchinaka
Do UOL Notícias
Em São Paulo
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Carlos Cecconello/Folhapress
O Shopping Pátio Higienópolis foi um dos que adotou seguranças armados após assalto
Treze shoppings de São Paulo foram invadidos por criminosos desde o começo do ano, alguns mais de uma vez. No último domingo (17), a tentativa de assaltar uma loja de bijuterias do Shopping Center Norte, na zona norte da capital, terminou em tiroteio e com um segurança ferido (veja mapa abaixo).
A nova onda de crimes fez os shoppings reforçarem a segurança para não perder os clientes e a credibilidade. Além de câmeras e detectores de metais, houve quem investisse em equipamentos de reconhecimento facial usados em Israel contra terroristas; em práticas usadas pelo FBI, a polícia federal americana; e na inspeção ostensiva de veículos na entrada das garagens. A medida mais polêmica, no entanto, é a adoção de seguranças armados nas dependências dos shoppings.
Para o especialista em segurança pública e coronel da reserva da Polícia Militar, José Vicente da Silva Filho, a prática é “enganosa e perigosa”, porque traz uma falsa sensação de segurança.
“Isso nunca deveria acontecer. Vigilantes armados não servem para proteger patrimônio onde há circulação de pessoas. Talvez sirvam para armazéns, mas não para shoppings ou bancos. Os vigilantes não estão preparados para confrontos, assim como a polícia em geral não está”, disse. “Eu evitaria um shopping com segurança armado, porque se tratam de pessoas mal preparadas com armas na cintura”, resumiu.
Confira onde foram os assaltos registrados em 2010
São Paulo tem em média até 500 assaltos por dia, sendo que o comércio é o setor mais atingido. Segundo o especialista, os criminosos agem cada vez mais em bando (média de 4,6 pessoas por assalto) e estão cada vez mais armados, por isso o potencial para tiroteios é "enorme".
Além disso, muitas vezes as armas dos próprios vigilantes vão parar na mão dos criminosos. “Essa é a principal fonte de armamento para os bandidos”, alerta Silva Filho.
Para melhorar a segurança sem correr o risco de levar um tiro, o especialista recomenda investir em equipamentos modernos de rádio comunicação e em câmeras capazes de identificar placas e suspeitos.
“Não são equipamentos caros e a maioria dos shoppings já os possui. A tecnologia também já existe, então é só melhorar o gasto. Com a instalação de câmeras capazes de identificar a placa do carro nas ruas de acesso ao shopping, dá para saber se o veículo é furtado, por exemplo, e avisar a polícia”, explicou o especialista.
Além disso, um rearranjo poderia dificultar o acesso a lojas que vendem produtos de grande valor agregado, como joias e relógios, que, por serem itens pequenos e caros, atraem bandidos.
Lojistas
Os lojistas ficam divididos entre criar um esquema que transmita a sensação de invulnerabilidade e espante os criminosos e afastar um clima de hostilidade para quem frequenta o shopping.
“As pessoas armadas em shopping têm que ter um preparo extraordinário. E de fato têm. O lojista não pode arriscar a clientela e a imagem do shopping. Nos locais onde foram adotados seguranças armados não houve uma queda na frequência e principalmente nas áreas de entrada isso é visto com bons olhos”, defendeu Luís Augusto Ildefonso da Silva, diretor da Alshop (Associação Brasileira de Lojistas de Shopping).
Na tentativa de instalar novos mecanismos que funcionem sem atrapalhar a compra ou afugentar o consumidor são investidos R$ 3 milhões por ano em segurança nos 725 centros comerciais associados à entidade, um salto de 25% em relação ao ano passado. As medidas adotadas –e quem as adotou– são segredo, mas, segundo a Alshop, aparelhos de reconhecimento facial são uma "tendência".
“Já houve até assalto a agência dentro de quartel general, então nada é improvável. Os shoppings continuam sendo menos vulneráveis, mas há um certo descuido”, disse José Vicente da Silva Filho, especialista em segurança.
Os criminosos estão sempre procurando novos meios de realizar um assalto e o alvo, ressalta Silva Filho, depende do grau de dificuldade e de risco. “A dificuldade vem do esquema de segurança e o risco da importância que a polícia dá para resolver o crime, da chance que os criminosos acham que têm de serem pegos. Os condomínios e os bancos já foram os alvos, agora são os shoppings, porque ali a segurança é invisível e discreta para manter a elegância, dá a impressão de vulnerabilidade”, explicou.
Segundo ele, os shoppings são áreas privadas que, ao contrário dos condomínios, por exemplo, são de livre acesso para as pessoas. Por isso, para haver segurança eficaz é preciso investir na cooperação entre a vigilância particular e a polícia, dentro do shopping e no entorno.
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