Corpos em decomposição dificultam trabalho de legistas na região serrana do Rio

Hanrrikson de Andrade
Especial para o UOL Notícias
No Rio de Janeiro

A Polícia Civil do Rio de Janeiro enviou na manhã desta terça-feira (18) mais 12 técnicos para ajudar no reconhecimento das vítimas das enchentes na região serrana do Estado. No total, 678 mortes foram confirmadas até o momento.

Os especialistas se dividiram em duas equipes, cada qual com dois legistas, dois papiloscopistas, um odontologista e um técnico-auxiliar. Segundo o diretor-geral da Polícia Técnico-Científica do Rio de Janeiro (DGPTC), Sérgio Henriques, todos os corpos já se encontram em estado de putrefação e não há mais condições de reconhecimento visual.

"Não há mais corpos intactos, já estão em fase de decomposição, o que dificulta o trabalho. O foco é a coleta de material genético, mas também há a possibilidade de reconhecimento pelo odontograma, desde que a vítima possua ficha em algum consultório dentário da região", explicou ele.

O trabalho está sendo feito em tempo integral e é dividido em quatro etapas: coleta de DNA, identificação da vítima, emissão de certidão de óbito e enterro. Após a análise do material genético, as vítimas são reconhecidas em até 30 dias.

Segundo Henriques, só o município de Teresópolis possui 39 corpos que ainda não foram identificados.

Em Nova Friburgo, onde as condições de abastecimento de água ainda são mais precárias -- em relação às demais cidades atingidas --, é que se concentra também o maior número de mortos, 318. Teresópolis, onde apenas a parte central do município foi mais poupada da força das águas e de deslizamentos, conta 277 mortes. O distrito de Itaipava, em Petrópolis, registra 58 mortos; Sumidouro, 20, São José do Vale do Rio Preto, 4, Bom Jardim, uma.

Corpos em ginásios
De acordo com Sérgio Henriques, nenhum país no mundo possui a estrutura necessária para receber tantos corpos de uma só vez.
 
Com isso, muitos cadáveres ainda estão alojados em ginásios e outros locais improvisados, a exemplo da quadra esportiva do Instituto de Educação de Nova Friburgo, na região central da cidade.
 
"É simplesmente impossível. Não há como ter tantas gavetas", resumiu.
 
A Polícia Civil também disse desconhecer denúncias de que corpos estariam sendo enterrados ilegamente.

Cidades atingidas pela chuva

 

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