Além de Jirau, revolta de operários afeta outras duas grandes obras do PAC

Do UOL Notícias
Em São Paulo

A exemplo do que ocorreu nas obras da usina hidrelétrica de Jirau, em Rondônia, trabalhadores de outras duas obras importantes, também financiadas com recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), se revoltaram contra os consórcios construtores dos empreendimentos. Operários que trabalham na construção da usina termelétrica de Pecém, no Ceará, e da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, paralisaram as obras e exigem melhores condições de trabalho para voltarem à ativa.

Em Jirau, a revolta --iniciada após uma briga entre funcionários na quarta-feira passada (16)-- terminou com 100 ônibus queimados, outros 40 danificados, além de toda a infraestrutura de um dos dois canteiros destruída. Mais de 10 mil trabalhadores tiveram que deixar a obra, que está paralisada. Os operários se queixam das condições de trabalho oferecidas na obra e exigem aumento salarial. O consórcio ESBR (Energia Sustentável do Brasil) nega as denúncias e diz que a destruição foram atos de puro vandalismo.

Nas obras da usina de Pecém, os trabalhadores incendiaram e destruíram completamente, na terça-feira passada (15), seis dos 15 alojamentos, situados na comunidade de Lagoinha, no município de São Gonçalo do Amarante.

Aproximadamente 6.000 trabalhadores estão paralisados e pretendem manter a greve pelo menos até quinta-feira (24), quando será realizada uma nova reunião entre a categoria e o consórcio Mabe, formado pelas empresas EDP e MPX --a primeira reunião ocorreu na quinta passada.

Hoje, uma manifestação com cerca de 5.000 funcionários foi realizada em frente à obra. Dezenas de policiais militares estão no local monitorando os manifestantes. O sindicato dos trabalhadores (Sintepav) afirma que não lidera o movimento grevista e não incentivou a paralisação, embora concorde com as exigências.

A entidade, no entanto, entregou ao consórcio uma lista com 35 reivindicações dos trabalhadores, que incluem reajuste salarial de 20%, melhoria na qualidade das refeições e unificação dos salários dos funcionários de montagem no Nordeste.

O consórcio afirma, no entanto, que só negocia quando os trabalhadores voltarem ao serviço, condição rejeitada pela categoria, que espera uma posição da empresa. O Tribunal Regional de Trabalho (TRT-CE) considerou a paralisação ilegal por não ter sido formalizada e convocada com antecedência.

A usina de Pecém, que integra o complexo portuário de mesmo nome, terá capacidade instalada de 720 megawatts e aumentará em 90% a capacidade de produção de energia do Ceará. Se a obra não atrasar, a primeira turbina deverá entrar em funcionamento no terceiro trimestre deste ano, e a segunda, no quarto trimestre. Uma das mais importantes obras financiadas pelo PAC, a usina terá custo total de R$ 2,6 bilhões.

Refinaria de Abreu e Lima

Diferentemente do que ocorreu em Pecém e em Jirau, não houve quebra-quebra durante a revolta dos trabalhadores nas obras de construção da refinaria de Abreu e Lima, que integra o complexo portuário de Suape, em Pernambuco. No entanto,  aproximadamente 3.000 funcionários estão paralisados desde a última sexta-feira (18), segundo o Sindicato da Indústria da Construção Pesada (patronal), que é contrário ao movimento grevista.

Os operários já haviam paralisado por 15 dias entre fevereiro e o início de março deste ano, mas decidiram voltar ao serviço após acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT). A categoria decidiu paralisar novamente, alegando que as negociações não avançaram. Eles exigem que o consórcio Conest, formado pelas empreiteiras Odebrecht e OAS, pague 100% de horas extras aos sábados --ante aos 80% recebidos atualmente --e eleve o vale-alimentação para R$ 300, contra os R$ 130 atuais.

Nesta terça, os trabalhadores bloquearam um trecho da estrada que dá acesso às obras. Uma audiência agendada para hoje, no MPT, foi suspensa.

Até o final do ano passado, as obras consumiram R$ 6,5 bilhões de recursos do PAC. Se não atrasar, a refinaria começará a operar em 31 de dezembro de 2012 e deverá ser totalmente concluída em setembro de 2014. A operação na refinaria será controlada pela Petrobras, em parceria com a PDVSA. A estimativa é que 230 mil barris de petróleo brasileiro e venezuelano sejam processados por dia.

 

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