Número de arrastões em restaurantes de São Paulo pode ser até 50% maior que o divulgado, diz sindicato

Janaina Garcia
Do UOL Notícias
Em São Paulo

A onda de arrastões em restaurantes da cidade de São Paulo, que já atingiu pelo menos 17 estabelecimentos desde o início deste ano, pode ser bem maior. Segundo o Sinhores-SP (Sindicato de Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares de São Paulo), pelo menos 50% a mais desse tipo de crime tem acontecido também fora do circuito zona sul e zona oeste da capital: restaurantes de periferia também estão na mira dos assaltantes.

A informação é do diretor do sindicato e da Abresi (Associação Brasileira de Gastronomia, Hospitalidade e Turismo), Edson Pinto, que falou ao UOL Notícias nesta terça-feira (22), horas depois de o Sinhores ter protocolado na SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública do Estado) ofício cobrando medidas contra a onda de arrastões. A cidade, pelos cálculos do sindicato, tem hoje mais de 50 mil restaurantes de pelo menos 60 nacionalidades.

Além de policiamento preventivo --que deve ser feito pela Polícia Militar --, a entidade pediu “mais empenho” dos órgãos de inteligência da Polícia Civil a fim de que eventuais quadrilhas envolvidas nesses assaltos sejam presas. Os crimes aconteceram em restaurantes de bairros como Vila Madalena, Vila Mariana e Ipiranga, além de Pinheiros, Perdizes e, no último domingo, também no Butantã.

De acordo com Edson Pinto, no entanto, “uma série de relatos” não oficiais vindos de estabelecimentos da periferia chegaram ao sindicato nesses três primeiros meses do ano. “São de empresários que preferem não levar o caso à polícia principalmente por medo de represália dos bandidos; sem contar as subnotificações, que acreditamos serem em número razoável”, disse Pinto. “Mas orientamos sempre que registrem a ocorrência na polícia, até para as autoridades investigarem esses crimes com uma visão real deles.”

O diretor afirmou não acreditar em eventual migração da onda de assaltos, mas citou o reforço de policiamento em áreas próximas a joalherias após a série de assaltos nestes locais desde o ano passado. “Os restaurantes são a bola da vez, mas, diferente da onda que teve em 1999, quando os arrastões chegaram também ao ABC, desta vez parece ser algo mais localizado. O problema é que, diferente de uma joalheria, por exemplo, o produto do assalto é pequeno --mas muito mais gente fica exposta à violência dos criminosos”, destacou.

Orientação

Desde que ficou evidente a frequência de arrastões, o Sinhores-SP começou a orientar empresários do setor para alguns cuidados específicos na segurança. Entre eles, por exemplo, estão investimento em câmeras de vigilância com sistema de gravação e a manutenção de quantias baixas nos caixas.

“Adotar ou não as orientações que implicam em gastos fica muito a critério do estabelecimento, mas fazer sangria de caixa mais vezes ao dia, ter funcionários atentos ao movimento externo --especialmente quem dispuser de manobrista e porteiro, por exemplo --e pesquisar antecedentes criminais de funcionários sempre são ações aconselháveis."

A reportagem fez contato com a assessoria de imprensa da SSP-SP, que afirmou que o ofício do sindicato está sob análise na chefia de gabinete. O órgão salientou, entretanto, que o reforço do policiamento preventivo já está vigente nas regiões onde houve arrastões.

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