Rebelião na Fundação Casa, em São Paulo, termina com ao menos dez feridos

Arthur Guimarães
Do UOL Notícias
Em São Paulo

O corregedor da Fundação Casa, Jadir Pires, afirmou que pelo menos dez pessoas ficaram feridas na rebelião que durou quatro horas nesta quarta-feira (6) na unidade São Paulo do complexo Vila Maria, da Fundação Casa, na zona norte.

Segundo ele, dois funcionários feitos reféns pelos adolescentes sofreram “escoriações leves” e foram encaminhados para hospitais da região. Cerca de oito internos também foram feridos --dois agredidos pelos próprios colegas e outros seis se machucaram quebrando móveis, portas e grades.

O corregedor afirmou que não houve confronto. De acordo com ele, a PM e a própria corregedoria conduziram as negociações e conseguiram obter a entrega de todos os reféns e organizar a rendição dos adolescentes.

Pires disse que ainda é cedo para saber a causa exata do motim, mas o fato de os adolescentes não terem uma liderança única, nem uma pauta de reivindicação, apontaria que a rebelião teria acontecido após uma fuga frustrada.

Pires confirmou que a ala invadida na rebelião abrigava jovens com idade entre 16 e 17 anos, que respondiam por crimes graves, normalmente cometidos com o uso de violência. Após serem revistados, a PM não encontrou armas.

Será instaurado procedimento interno para investigar as razões da rebelião e para apurar a responsabilidade de cada menor. Os responsáveis pela confusão podem ser penalizados com sanções, como restrição ao acesso a determinadas áreas do complexo.

O motim

A revolta começou por volta de 17h, quando os adolescentes colocaram fogo em objetos e fizeram um grupo refém. Os PMs chegaram em dois caminhões para auxiliar os trabalhos do chamado “choquinho”, grupo especializado em atuar na Fundação Casa.

A professora de ciências Daniela Assis contou que foi obrigada a permanecer trancada dentro de uma sala com outros três colegas por cerca de quatro horas. Segundo ela, que foi libertada ao final da rebelião, os adolescentes não usaram violência, nem deixaram claro o motivo da rebelião. “Pediram pra gente ir, e a gente foi. Não tínhamos como sair dali”, disse a refém.

De acordo com informações de Júlio Alves, presidente do sindicato dos Funcionários da Fundação Casa, a rebelião começou após uma fuga frustrada dos jovens que cumprem medida socioeducativa.

No começo da noite, um helicóptero da PM sobrevoou e iluminou a unidade para tentar ver a movimentação dos rebelados. Há 56 internos na unidade, segundo a assessoria de imprensa.

Por volta de 19h30, três vans com homens do choquinho e monitores da Fundação Casa deixaram a unidade da Vila Maria em direção à unidade Nova Vida, no Belém, que fica do lado oposto da marginal Tietê, para conter um princípio de rebelião, que teria sido iniciado após os internos tomarem conhecimento do motim na unidade Vila Maria.

 

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