IML identifica e libera corpos de 12 mortos no massacre em Realengo (RJ); três famílias autorizam doação de órgãos

Do UOL Notícias
Em São Paulo*

Doze corpos foram liberados para as famílias no final da tarde desta quinta-feira (7) após a identificação no IML (Instituto Médico Legal) da região central do Rio de Janeiro. Os corpos são de 11 vítimas do massacre na escola municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na zona oeste, e também do atirador, Wellington Menezes de Oliveira, 23.

Tiroteio em escola no Rio de Janeiro
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Três sepultamentos já estão confirmados para esta sexta-feira (8): dois às 11h, no cemitério Murundu, em Padre Miguel, e um às 16h, no de Ricardo de Albuquerque, ambos na zona oeste. Veja a lista das vítimas.

Segundo o diretor de Polícia Técnica Científica do Estado, Sérgio da Costa Henrique, o processo de identificação demorou três horas. Três famílias já autorizaram a doação de todos os órgãos das vítimas. "É um trabalho complicado, pois é difícil para pais e mães que perderam crianças que estavam no seu auge, estudando", disse.

O diretor acrescentou que toda a equipe do IML foi reforçada para agilizar os trabalhos: foram 32 agentes legistas e de necropsia trabalhando. A maioria dos disparos feitos pelo atirador atingiu o tórax e a cabeça das vítimas, de acordo com Henrique. Ele afirmou também que foram efetuados tiros à queima-roupa.

Abalada, Ana Paula Sampaio de Oliveira, tia de Karine, de 14 anos, uma das vítimas, contou que ficou sabendo do ataque pelo irmão. Segundo ela, a família tentou ligar para o celular da menina, que estava na oitava série e morava com a avó, mas as ligações não eram atendidas. Ela disse ainda que mais tarde um colega encontrou o aparelho e contou que a menina o deixou cair ao morrer. "Karine começou a fazer atletismo há pouco tempo na escola militar de Sulacap. Estava muito feliz e agora aconteceu isso..."

O reconhecimento das vítimas foi feito primeiramente por fotografia; na sequência, por meio da observação dos corpos.

O crime

O atirador disparou várias vezes contra os alunos de uma sala de aula de oitava série, com 40 alunos, no primeiro andar. Mais de 400 jovens estudam no local, em 14 turmas do 4º ao 9º ano. Segundo as últimas informações da Secretaria Estadual de Saúde, há 13 feridos, sendo dez meninas e três meninos --quatro estão em estado grave. Eles estão sendo atendidos em seis hospitais.

O atirador deixou uma carta, na qual orienta seu enterro e pede que doem sua casa para entidades que cuidam de animais.

Durante o tiroteio, houve muita gritaria e os professores trancaram as portas das salas para proteger os alunos.

O atirador estaria usando uma roupa que imitava fardamento militar e entrou na escola com duas pistolas e muita munição. Wellington entrou na escola dizendo que iria fazer uma palestra em comemoração aos 40 anos da unidade. Lá dentro, chegou a ser reconhecido por uma professora.

A irmã adotiva do atirador disse em entrevista à rádio Band News, que o atirador estava "muito ligado" ao Islamismo, não saía de casa e ficava o tempo inteiro no computador.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse que o episódio é uma “tragédia sem precedentes” e que este é um “dia de luto” para a educação brasileira.

"Poderia ter sido maior"

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), disse que o massacre  poderia ter sido maior, se um terceiro sargento da Polícia Militar não tivesse interferido. Segundo o governador, o sargento Alves, que cumpria uma operação na região, foi avisado por dois estudantes feridos que fugiram da escola no momento do massacre.

“Ele estava participando de uma operação a dois quarterões da escola e foi avisado por dois meninos que fugiram”, disse. Cabral afirmou que o sargento atingiu o atirador na perna quando ele estava no terceiro andar, quando ele já havia atirando contra os alunos e se preparava para atacar mais crianças. “Sem dúvida nenhuma a atuação dele [o sargento] foi fundamental. Ele já estava preparado para mais disparos."

* Com informações da Agência Estado

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