População do Rio Grande do Sul cresce a "ritmo suíço", aponta IBGE

Flávio Ilha
Especial para o UOL Notícias
Em Porto Alegre

A população do Estado do Rio Grande do Sul foi a que menos cresceu nos últimos dez anos no país, de acordo com dados do Censo 2010 divulgados nesta sexta-feira (29) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

De 2000 a 2010, o crescimento populacional médio do Estado ficou em 0,49% ao ano. Na década anterior, a velocidade de crescimento era quase três vezes maior: 1,23%. A média brasileira anual foi de 1,17% na última década.

No mesmo período, o crescimento populacional no Estado foi de 5,03% – o que significa um acréscimo de pouco mais de 512 mil habitantes. A taxa é similar à de países europeus, como Suíça – o país tem a menor taxa do continente, com 0,54% ao ano.

Os números do Rio Grande do Sul

População total (ano 2000) População total (ano 2010) Variação
10.181.749 10.693.929 5,02%

Dados preliminares divulgados no final de 2010 já haviam apontado que o Rio Grande do Sul vivia uma situação de estabilidade populacional. Em muitos casos, segundo o levantamento, houve diminuição: 275 municípios (dos 496 do Estado) registraram menos moradores do que dez anos atrás.

A queda populacional na maior parte dos municípios decorre, de acordo com especialistas, de uma combinação de natalidade mais baixa – influenciada pelos indicadores educacionais e de desenvolvimento humano – com maciças ondas migratórias para novos polos de crescimento, no Estado e fora dele.

Esse elemento pode ser evidenciado pelos casos de Porto Alegre e Caxias do Sul: a capital, que continua sendo o município mais populoso do Estado, passou de 1.360.033 pessoas em 2001 para 1.409.351 no levantamento atual. A taxa de crescimento em dez anos foi de apenas 3,63%.

Já Caxias do Sul, que é um importante polo metal-mecânico da serra gaúcha, teve expansão populacional de 20,8% no mesmo período, passando de 360.419 habitantes para 435.482.

A competitividade econômica está mudando o mapa gaúcho. Em algumas cidades, principalmente nas pequenas, só ficam idosos e crianças. O resto, de acordo com especialistas, está migrando com mais intensidade para polos regionais em busca de renda e segurança econômica.

A queda da natalidade impede muitos municípios de repor a população que migra, como ocorria em décadas passadas. Antes, a alta natalidade compensava. Mas agora, com fecundidade mais baixa e aumento da migração por questões econômicas, o problema tem ficado mais evidente.

Capital

Porto Alegre foi a capital que menos aumentou sua população na década no país, segundo o IBGE – e não se trata de percentual. Em 11 anos, entre os dois últimos grandes censos realizados no país, a capital gaúcha recebeu apenas mais 49 mil moradores.

Os números da capital gaúcha

População total (ano 2000) População total (ano 2010) Variação
1.360.033 1.409.351 3,63%

Só Vitória, capital do Espírito Santo, cresceu menos em termos populacionais: 35,8 mil pessoas. Em termos relativos, porém, a cidade ampliou sua população em 12,3% entre 2000 e 2010. A capital gaúcha avançou apenas 3,63% nesse período.

A estagnação se explica pelo rumo que a cidade tomou e pelo desenvolvimento de polos no interior. No passado, a cidade crescia movida pelos migrantes que chegavam de todos os cantos à procura de emprego na indústria ou de escolas e faculdades.

De lá para cá, as fábricas foram embora e o ensino superior, que também servia como um atrativo, espalhou-se pelo Estado. O fluxo migratório se inverteu. Milhares de moradores de Porto Alegre foram morar em municípios vizinhos, onde estão os empregos industriais.

A capital virou uma espécie de cidade-dormitório para parte de sua população: todos os dias, segundo estudos de especialistas, cerca de 90 mil pessoas viajam a municípios da região metropolitana para trabalhar. A Grande Porto Alegre concentra cerca de 4,5 milhões de habitantes.

Outro fator foi a debandada de pessoas cansadas da violência. Municípios menores da região metropolitana, como Nova Santa Rita, receberam uma avalanche de ex-moradores de Porto Alegre à procura de qualidade de vida.

Caso de Jonas Oliveira dos Santos, 37. Ele saiu com a esposa Michele da Silva e Silva e o filho, Mateus, da periferia de Porto Alegre para viver no município. Sem casa, recebeu ajuda da assistência social da prefeitura para construir um sobradinho de madeira num dos bairros da cidade, de 20 mil habitantes e a 25 quilômetros da capital.

"Vim fugindo da violência e das drogas e encontrei apoio aqui em Nova Santa Rita. É um bom recomeço de vida para toda a família", diz Jonas, que vive como catador. Ele pretende voltar a trabalhar com pecuária, atividade que mantinha antes de desembarcar em Porto Alegre há 15 anos.

 

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