Quase metade dos motoristas brasileiros enfrenta congestionamento todos os dias, diz Ipea

Guilherme Balza
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) sobre a percepção da mobilidade urbana divulgada nesta quarta-feira (4) mostra que quase metade dos motoristas de carro no Brasil enfrenta congestionamentos todos os dias.

Os motociclistas, por sua vez, são os menos atingidos pela lentidão no trânsito, lidando com congestionamentos com frequência menor do que os usuários de transporte público.

Segundo o levantamento, mais de 40% dos usuários de carros são obrigados a enfrentar um ou mais congestionamentos diariamente, e quase 10% dos motoristas lidam com a lentidão no tráfego com frequência semanal. Um pouco mais de 30% dos motoristas nunca enfrenta congestionamentos.

Entre os motociclistas, quase 60% nunca enfrentam trânsito congestionado e 5% pegam tráfego ruim semanalmente. Cerca de 30%, porém, são afetados pela lentidão todos os dias. No universo de usuários de transporte público, quase 40% pegam congestionamentos diários, cerca de 15% enfrentam lentidão semanalmente e menos de 25% nunca são afetados por trânsito congestionado.

O instituto entrevistou 2.786 pessoas --que responderam a 30 perguntas--, entre 4 e 20 de agosto, em 146 municípios distribuídos proporcionalmente de acordo com parâmetros populacionais da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (Pnad) de 2008. O levantamento integra uma série de estudos do Ipea sobre a percepção do brasileiro em torno de serviços e equipamentos públicos.

Transporte público tem pior avaliação

Os usuários de veículos motorizados individuais (carros e motos) são os que avaliam melhor seus próprios meios de transporte: cerca de 75% qualificam seu transporte como muito bom ou bom; quase 15%, regular; e aproximadamente 7%, ruim ou muito ruim. Entre os usuários do transporte coletivo, mais de 40% consideram os meios de transporte público bons ou muito bons; pouco menos de 40% avaliam como regular; e 20% acham o transporte público ruim ou muito ruim.

Apesar de ter a pior avaliação, o transporte público é o meio de locomoção mais utilizado nas regiões metropolitanas, sendo a opção principal de 60,05% da população, contra 22,55% do carro, 7,02% da moto, 3,48% da bicicleta. Fecham a conta os 6,89% da população que costuma se locomover a pé.

A pesquisa também perguntou aos entrevistados a razão principal que os fazem escolher determinado tipo de meio de locomoção. Para os usuários do transporte público, “ser mais barato foi o motivo” mais respondido, seguido de “ser de fácil uso”.

Os motociclistas e ciclistas responderam, em primeiro lugar, “ser mais rápido”, e, sem segundo, “ser mais barato”. Já os motoristas apontaram a rapidez e o conforto do carro, nessa ordem. Os que se locomovem a pé responderam que a opção é “mais saudável”.

Questionados sobre qual a principal condição que os levaria a usar o transporte público, ciclistas, motociclistas e motoristas responderam que o fariam se fosse mais rápido e se houvesse mais disponibilidade, nessa ordem.

A pesquisa divulgada hoje é um complemento de outro estudo sobre mobilidade urbana que o Ipea divulgou em janeiro. O objetivo do instituto é fazer com que a pesquisa se constitua como indicador para o setor público estruturar melhor suas ações, segundo o Ipea.

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