Com 21 municípios com falta de água, Nordeste tenta agora combater as doenças

Aliny Gama e Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias
Em Maceió


Pelo menos 21 municípios de três Estados do Nordeste ainda sofrem nesta segunda-feira (9) com problemas no abastecimento de água encanada por conta das fortes chuvas que atingiram a região nos últimos dias e destruíram tubulações e adutoras. Ao todo, 50 cidades decretaram em emergência (26 em Pernambuco, 13 na Paraíba, nove em Alagoas e duas no Rio Grande do Norte) nos últimos 15 dias, e nove estão estado de calamidade pública (todas em PE).

Em Pernambuco, balanço divulgado pela Compesa (Companhia Pernambucana de Saneamento) informa que 11 municípios ainda estão com o fornecimento de água comprometido por conta de danos causados aos sistemas de abastecimento. Segundo a empresa, 21 cidades que enfrentaram problemas estão com o fornecimento de água regularizado.

Na zona da mata sul, região mais afetada pelas cheias, a Compesa informou que os municípios de Primavera, Barreiros e Vitória de Santo Antão enfrentam problemas. Já zona da mata norte, o abastecimento de água não voltou à normalidade para quatro cidades: Vicência, Nazaré da Mata, Lagoa do Carro e Aliança. A população de Bom Jardim, Limoeiro, Cupira e Camocim de São Félix (que está 100% sem abastecimento) também sofrem com problemas.

Já no Rio Grande do Norte, os municípios de Jaçanã, Campo Redondo, Coronel Ezequiel e São Bento do Trairi estão há dez dias sem água nas torneiras devido às chuvas que romperam parte da tubulação da adutora Monsenhor Expedito, que fica entre as cidades de Santa Cruz e São Bento do Trairi. O abastecimento de água está sendo feito por meio de carros-pipa. Segundo a Caern (Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte), os trabalhos de recuperação ainda não puderam ser iniciados por conta do excesso de água do rio Inharé, que está com cerca de três metros de profundidade.

Em Alagoas, segundo boletim da Defesa Civil divulgado na tarde desta segunda-feira, apontam que seis cidades ainda enfrentam problemas com o abastecimento: Campestre, Japaratinga, Jacuípe, Jequiá da Praia Novo Lino e São Miguel dos Milagres.

Já na Paraíba, o coordenador da Defesa Civil, coronel Rufino Tavares, informou ao UOL Notícias que existem problemas com problemas no abastecimento, mas não soube informar quantas enfrentam dificuldades.

Reforço na saúde

Com a diminuição dos níveis dos rios no fim de semana, a preocupação das autoridades agora é com as doenças que geralmente ocorrem após períodos de enchentes, em especial nos municípios onde ainda há falta de água. Problemas como diarreia, leptospirose e tétano são alguns dos que mais preocupam.

Para evitar os problemas , as secretarias dos Estados de Alagoas e Pernambuco –os dois estados mais atingidos da região-- montaram estratégias para atender aos mais de 65 mil desabrigados e desalojados nos dois Estados.

Em Pernambuco, onde mais de 15 mil famílias estão desabrigadas ou desalojadas, o Hospital Regional de Palmares (referência na zona da mata sul) recebeu o reforço de 12 médicos e enfermeiros.

A  Secretaria Estadual de Saúde informou ainda que recebeu, do Ministério da Saúde, três kits de farmácia básica para tratamento de tuberculose, hanseníase, diabetes, cólera e glaucoma. Cada kit atende até 500 pacientes por até três meses. Outros kits devem chegar a Pernambuco nesta terça-feira (10).

A secretaria disse ainda que as unidades municipais receberam seringas, doses de vacina contra tétano, difteria, tétano e hepatite, frascos de hipoclorito de sódio e materiais educativos contra leptospirose, dengue e outras doenças de veiculação hídrica.

Já em Alagoas, a Secretaria de Estado da Saúde informou que vai enviar dois caminhões com kits com 30 itens de medicamentos para doenças como hipertensão, diabetes, diarreia e desidratação para 10 municípios atingidos pelas chuvas. O órgão informou ainda que irá distribuir soro antiofídico para vítimas de picadas de animais peçonhentos, comuns em pós-cheias.

A secretaria também informou que distribuiu hipoclorito e realiza o monitoramento da qualidade da água e da vigilância epidemiológica das doenças respiratórias e transmitidas por água e alimentos.

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