Polícia investiga PMs que teriam confundido colega com ladrão, atirado e o deixado morrer

Arthur Guimarães
Do UOL Notícias
Em São Paulo

  • Fabio Braga/Folhapress

    Autoridades da Rota estiveram no enterro do soldado Rodrigo Aparecido Pansani

    Autoridades da Rota estiveram no enterro do soldado Rodrigo Aparecido Pansani

A Polícia Civil de São Paulo investiga a suspeita de que policias militares, sem saber que baleavam um soldado à paisana da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), teriam o deixado morrer por omissão de socorro, provavelmente pensando tratar-se de um criminoso.

Duas testemunhas ouvidas pelo delegado titular do 27º Distrito Policial (Campo Belo), Armando Belio, confirmaram que, após uma perseguição policial, viram o homem da Rota receber um tiro, cair no chão e agonizar por ajuda. Ele estava de folga e sem farda.

Pelo relatos, que constam do inquérito, os policiais envolvidos eram da Rocam (Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas) e estavam ao lado de vários carros de polícia.

Eles poderiam ter levado o soldado para hospitais da região, mas ficaram observando o corpo, por cerca de cinco minutos. Em certo momento, as testemunhas dizem ter visto um dos atiradores abaixar e colocar a mão no pescoço do rapaz.

O caso aconteceu no último dia 24 de junho, na avenida Bandeirantes, na zona sul de São Paulo. Naquela sexta-feira, um grupo de assaltantes roubou uma residência na rua Camundó, no Planalto Paulista.

Ao sair da casa, os criminosos foram surpreendidos por policiais militares --e iniciou-se então um tiroteio. No confronto, um policial ficou ferido de raspão.

O grupo conseguiu fugir de carro. Nesse momento, o soldado da Rota Rodrigo Aparecido Pansani teria percebido a movimentação e, com sua moto, também teria passado a perseguir os assaltantes.

Já na avenida Bandeirantes, perto do aeroporto de Congonhas, os criminosos teriam tentado abandonar o veículo para correr pelo canteiro central da via. Nesse momento, Pansani teria largado sua moto e, segundo as investigações, teria perseguido os criminosos.

Os policiais da Rocam acabaram atirando no soldado da Rota, que foi baleado no peito, alegando que ele teria se virado repentinamente - com uma arma em punho e de capacete, impossibilitando qualquer identificação. "As duas testemunhas são contundentes ao afirmar que ele ficou um tempão lá sem atendimento algum. Uns cinco minutos", diz o delegado.

Segundo o titular do 27º DP, que ainda prosseguirá seu trabalho de apuração, há indícios de que, sem saber que a vítima seria um soldado, os demais policiais teriam omitido o socorro.

"Elas [as testemunhas] dizem que eles [os policiais] começaram a revistar o homem e encontraram um documento. Teriam ficado em pânico", afirma o delegado. "Matar um policial da Rota causa um embaraço."

Caso seja comprovada a suspeita, o delegado não descarta a possibilidade de enquadrar o policial por homicídio doloso e omissão de socorro.

PM investiga o caso

Em nota, a Polícia Militar confirmou que foi acionada para atendimento de roubo a residência no Planalto Paulista. Lá chegando, "os infratores agrediram os policiais a tiros, sendo que um policial foi ferido de raspão na cabeça, socorrido ao Pronto Socorro Santa Cruz."

Durante a fuga, diz a nota, "um policial que estava de folga tentou intervir na ocorrência, porém foi alvejado e faleceu." A Polícia Militar esclarece que foi instaurado Inquérito Policial Militar (CPAM2 – 20/13/11) para apurar os fatos.

 

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