"Assalto ao Banco Central" é um filme de ação sem ação nem informação

Mauricio Stycer
Colunista do UOL
Em São Paulo

Em cartaz nas melhores salas do país, “Assalto ao Banco Central” conta a história de um grupo de criminosos reunidos para organizar um roubo genial. A edição mescla cenas da preparação com detalhes do que aconteceu depois –a perseguição que sofreram por parte de um delegado da Polícia Federal e sua assistente, além da extorsão praticada por dois policiais corruptos.

Histórias sobre grandes golpes ou assaltos geniais formam um subgênero, dentro de “filmes de ação”, em Hollywood. Há dezenas e dezenas de bons títulos com este mote à disposição do público. Marcos Paulo poderia ter usado qualquer um como inspiração para o seu “Assalto ao Banco Central”. Se usou, não dá para notar.

A opção de alternar presente e passado com agilidade acaba com qualquer possibilidade de suspense. A ação, em si, também dilui-se, transformando “Assalto ao Banco Central” num raro filme de ação sem ação.

Já que abriu mão do suspense e da ação, seria justo imaginar que Marcos Paulo ambicionasse fazer um thriller psicológico ou político, disposto a desvendar a alma dos seus assaltantes, ou expor as mazelas da polícia, do crime organizado e do país. Nada disso também se vê na tela, além da caricatura.

Ironia e humor também são matérias ignoradas ou tratadas com mão pesada. A relação da investigadora (Giulia Gam) com outra mulher é um tema paralelo, incluído de forma grosseira no filme. O estilo “old school” do delegado (Lima Duarte) até tem alguma graça, mas o ator desperdiça as melhores frases com uma interpretação no piloto-automático.

O diretor não tinha, de fato, obrigação de ser fiel aos acontecimentos relacionados ao maior assalto da história do Brasil. Mas a sua versão, além de pobre, está longe de produzir bom entretenimento.

O único mérito de “Assalto ao Banco Central” é despertar a curiosidade para o que, de fato, ocorreu. Recomendo, neste caso, o livro “Toupeira”, do ex-investigador da Polícia Civil de São Paulo, hoje advogado, Roger Franchini.

Com base nos autos do processo aberto em Fortaleza, nos diferentes depoimentos e nas informações que recolheu pessoalmente, Franchini descreve uma história impressionante e aterradora.

Em primeiro lugar, mostra claramente o papel da organização PCC na montagem da operação. Descreve em detalhes como foi feito o assalto, aponta os erros dos criminosos e, especialmente, torna pública a versão dos condenados sobre as diferentes extorsões que sofreram.

Franchini conta que, até 2008, 122 pessoas foram presas, outras 120 foram denunciadas e 18 foram condenadas. Dois acusados morreram antes da sentença, “em circunstâncias que envolviam sequestros por policiais civis ou militares”. Dos R$ 170 milhões roubados em 5 de agosto de 2005, apenas 35% foram recuperados. 

Enfim, um roteiro muito mais interessante e com mais suspense do que o de “Assalto ao Banco Central”.

 

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