Dez vítimas do acidente com o bonde em Santa Teresa permanecem internadas; há um caso grave

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

A Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro (SMDC) informou, em nota da tarde deste domingo (28), que dez pacientes vítimas do acidente com um bonde em Santa Teresa permanecem internadas em hospitais municipais. Desse total, oito estão no Hospital Souza Aguiar, no centro, e dois no Miguel Couto, na Gávea. Todos foram submetidos a cirurgias e estão estáveis.

O caso mais grave é o de um menino de 3 anos, internado no CTI pediátrico do Souza Aguiar, que está em observação. No sábado (27), o secretário Estadual de Transportes do Estado do Rio de Janeiro, Julio Lopes, disse em entrevista coletiva que o bondinho que descarrilou matando cinco pessoas e ferindo mais de 50 foi atingido por um ônibus uma hora antes do acidente e, mesmo assim, o motorneiro decidiu seguir viagem.

“Existe um registro policial dessa colisão, o bondinho foi atingido por um ônibus, cerca de uma hora antes do acidente, por volta de 15h. Vamos verificar se houve algum comprometimento, entretanto o motorneiro decidiu seguir viagem” afirma o secretário.

A Secretaria Estadual de Transportes do Rio promete apurar com rigor o ocorrido e diz que o condutor do bonde era experiente. “Temos que ter todo rigor na apuração deste acidente, vamos apurar com toda a transparência possível. As primeiras informações que recebemos é que o bonde estava superlotado, com um número muito acima da sua capacidade. Vamos pedir o auxílio também ao Crea-RJ”, afirma Julio Lopes.

O bondinho ficará paralisado até que as causas do acidente sejam apuradas. Segundo o secretário, um estudo já era feito para se fechar o bondinho, retirar os estribos para se aumentar a segurança dos passageiros, mas se levava em conta a questão “cultural” de pegar o bondinho em movimento.

“Adequar a operação dos bondes também é prioridade, precisamos operar dentro do seu padrão de lotação , as pessoas precisam respeitar isso e entender que o trânsito em Santa Teresa já não é mais o mesmo, devemos levar em conta o fluxo de caminhões e ônibus pelas ruas do bairro”, finaliza o secretário.

O serviço de bondes no Estado do Rio de Janeiro é de responsabilidade de uma empresa estatal, Central, que anunciou que o trecho onde aconteceu o acidente havia recebido uma reforma recentemente.

De acordo com Fábio Tepedino, diretor de engenharia da Central, os bondinhos suportam de 36 a 38 pessoas e a informação preliminar é de que ele estava lotado. “Por ser aberto, ele é vulnerável, cabe a pessoa que conduz o bonde verificar o número de passageiros, mas ele também é uma vítima do acidente”, disse Tepedino.

Acidente

A Secretaria Municipal de Saúdeconfirmou, por meio de nota oficial, que cinco pessoas morreram e 54 ficaram feridas em consequência do acidente. Entre os mortos, está o condutor do bonde, e entre os feridos há três crianças e cinco turistas estrangeiros – três franceses, um português e um inglês. Todos foram levados para o Hospital Municipal Souza Aguiar, no centro, mas 12 foram transferidos para outras unidades de saúde do Estado.

Dos 42 que permaneceram no Souza Aguiar, oito tiveram fraturas diversas e precisaram passar por cirurgias ortopédicas. De acordo com a secretaria, cinco pacientes que foram encaminhados ao Hospital Miguel Couto, na zona sul do Rio, apresentam quadro grave, mas estável, por conta de lesões internas e fraturas.

O acidente ocorreu na altura do número 273 da rua Joaquim Murtinho. Antes de tombar sobre a pista, ele teria descarrilado. Após descarrilar, o bonde continuou a andar até se chocar com um poste.

Problema

A Secretaria Estadual de Transportes do Rio de Janeiro propôs ao Ministério Público a elaboração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para a instalação de estribos retráteis nos bondes de Santa Teresa. A iniciativa acabaria com as tradicionais viagens sobre o estribo. Algo ainda em estudo.

“O objetivo é orientar e conscientizar os passageiros sobre a utilização segura do transporte, pondo fim às viagens sobre o estribo”, afirma a secretaria em nota.

O projeto ganhou força depois da morte do turista francês Charles Damien Pierson, 24, que caiu do bondinho ao se desequilibrar quando tirava uma foto, no dia 25 de junho deste ano. Ele caiu de cima dos Arcos da Lapa, no centro da cidade, e morreu. O acidente provocou uma grande discussão sobre a responsabilidade pela grade de proteção. Quem contradiz a proposta afirma que viajar no estribo é uma “questão cultural” já que há 115 anos o carioca cultiva a tradição de viajar dessa maneira.

*Com reportagem de Rodrigo Teixeira, especial para o UOL Notícias, no Rio de Janeiro

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