Moradores do morro do Adeus, no Complexo do Alemão, relatam ação de criminosos

Hanrrikson de Andrade
Especial para o UOL Notícias

No Rio de Janeiro

A população do Morro do Adeus, no Complexo do Alemão, zona norte do Rio de Janeiro, já não têm a mesma sensação de segurança que se instalou na região após o processo de pacificação, no fim do ano passado. No dia seguinte ao tiroteio que supostamente deixou uma jovem de 15 anos morta e feriu um homem atingido por estilhaços de granada, as ruas da comunidade estavam praticamente vazias na tarde desta quarta-feira (7), apesar do feriado. O Exército não confirmou a morte da jovem.

Moradores que presenciaram a troca de tiros revelaram ao UOL Notícias que alguns criminosos que tentaram invadir a comunidade na noite de terça são os mesmos da época na qual o Complexo do Alemão era dominado pela facção Comando Vermelho (CV).

De acordo com X., 55, os traficantes entraram no Adeus pelo acesso da estrada Itararé em carros com vidros escuros. Eles teriam subido até um ponto próximo à estação do teleférico e efetuado vários disparos. "Eles pararam perto do mirante e descarregaram para baixo. Foram muitos tiros. Existem boatos de que eles podem tentar uma nova invasão aqui no Adeus. Lá em cima dá para ver tudo, a estrada do Itararé praticamente toda".

Na noite de ontem, o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte, determinou a ocupação dos territórios que não estavam na área de abrangência da Força de Pacificação do Exército, os morros da Adeus e da Baiana, justamente as favelas nas quais os bandidos agiram.

Na favela da Grota, que conta com um forte esquema de segurança, em especial nas ruas Nova e Joaquim de Queiroz, moradores aproveitaram o feriado para fazer um churrasco na rua, nas imediações da associação de moradores. "Parece que nada aconteceu, né? Nós nos acostumamos a coisa muito pior. Mas eu tremo só de pensar que tudo aquilo não adiantou para nada", afirma a dona de casa Maria Eugênia dos Santos, 61.

Paz ameaçada

Os moradores que tentam entrar nas comunidades do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, continuam sendo revistados pelos militares da Força de Pacificação, principalmente os que conduzem carros e motocicletas. No início da noite de terça um tiroteio de quase duas horas entre soldados e criminosos assustou a população da região, que foi obrigada a se trancar em casa.

Segundo a Força de Pacificação, 11 veículos blindados (dos quais seis desfilariam na parada da Independência, nesta quarta) reforçam a segurança em toda a área do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro. Homens da Polícia Militar e do Batalhão de Operações Especiais (Bope) também estão no local.

A polícia investiga se o confronto de ontem foi provocado por traficantes da facção Comando Vermelho (CV) que conseguiram fugir durante o processo de pacificação, no fim do ano passado. Eles teriam invadido as comunidades da Baiana e do Adeus, no Complexo do Alemão, a fim de retomar o controle nesta localidade.

UOL Cursos Online

Todos os cursos