Após cem feridos por ataque de piranhas, balneário no Piauí recebe peixes para conter superpopulação

Aliny Gama
Especial para o UOL Notícias
Em Maceió

Após cem banhistas serem feridos por ataque de piranhas, o principal balneário da região próxima a Teresina, a barragem do Bezerro, no município de José de Freias (PI), a 52 quilômetros da capital, contra-atacou: desde o dia 19 deste mês, 100 mil tilápias foram colocadas na barragem, com o objetivo de atacar e, ao mesmo tempo, serem alimento das piranhas. O objetivo é controlar a superpopulação da espécie no local e garantir que a piranha encontre comida na barragem, sem a necessidade de atacar o ser humano.

No fim de semana retrasado, pelo menos cem banhistas deram entrada no hospital da cidade em busca de atendimento, após mordidas no calcanhar e nos dedos dos pés. Os ataques, que vêm ocorrendo há dois meses, afugentaram o público da barragem, que sempre lota a área nos fins de semana.

Balneário recebe peixes para conter piranhas
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Segundo o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), foram colocados alevinos e peixes adultos. “Elas passaram a atacar os banhistas pela ausência dos seus predadores. E como os outros peixes são o alimento da piranha, houve essa busca por comida”, afirmou Romildo Mafra, superintendente do Ibama.

Até novembro, a barragem deve receber mais 200 mil peixes das espécies tucunaré e traíra para que a cadeia volte ao equilíbrio. Durante este período, a pesca na barragem está proibida.

Esta semana, ações de orientação de preservação do meio ambiente foram realizadas às margens da barragem. Nesta quarta-feira (21), estudantes participaram de palestras educativas para orientar os banhistas a não jogarem restos de alimentos na barragem.

Além da introdução dos novos peixes, a Semar (Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado do Piauí) realizou a pescaria de piranhas durante 40 dias para ajudar na diminuição da espécie na barragem. Segundo o secretário Dalton Macambira, os pescadores cederam 66 redes e coletaram 1.006 piranhas, o que correspondeu a 62% das espécies pescadas. Para Macambira, o resultado apontou para a existência de superpopulação de piranhas na barragem do Bezerro. Após a ação, as piranhas foram distribuídas à comunidade, enquanto os demais peixes foram devolvidos à barragem.

“Os pescadores capturaram piranhas, traíras, flexeiras, cumbaus e apenas dois tucunarés. Esse resultado aponta que a ação do homem, em desrespeito à piracema, desequilibrou o ecossistema da barragem. Agora, com as tilápias na barragem, os ataques tendem a diminuir”, disse.

Pesca predatória
Romildo Mafra, superintendente do Ibama, afirmou ao UOL Notícias que um dos fatores que contribuiu para a superpopulação de piranhas na barragem foi a pesca irregular de tucunarés e traíras, que são predadores naturais dos ovos das piranhas. Os alevinos das duas espécies também servem de alimento para as piranhas, que, devido à superpopulação, estão com alimento escasso.

“As pessoas têm preconceito de se alimentar de piranhas. Além disso, os pescadores não se interessam em pescá-las porque esse tipo de peixe destrói as redes e causam prejuízos. Eles acabam pescando apenas tucunarés e traíras, que trazem o equilíbrio natural da barragem. Sem predador natural, o número de piranhas cresceu”, disse Mafra.

O Ibama informou ainda que a pesca está proibida na barragem. A medida foi tomada para que os alevinos e peixes adultos, que foram colocados no local, possam acabar com os ataques das piranhas.

Segundo o DNOCS (Departamento Nacional de Obras de Combate à Seca), que também participou da ação no Piauí, o peixamento vai não só impedir a ação das piranhas, como gerar mais trabalho para os pescadores da região, já que as tilápias são consideradas um peixe “nobre” no cardápio nordestino.
 

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