Responsável da Chevron disse que não sabia como agir, afirma Minc

Julio Reis
Do UOL Notícias, no Rio de Janeiro

Em audiência pública na tarde desta quinta-feira (24) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, disse que a Chevron não sabia como agir no caso do vazamento na bacia de Campos.

Segundo Minc, a Polícia Federal tem depoimentos gravados do coordenador responsável pela segurança da plataforma em que ele disse não saber o que fazer para conter o vazamento.

O representante da Chevron na audiência, Luiz Pimenta, supervisor de meio ambiente, não comentou as declarações de Minc e saiu sem falar com a imprensa. Durante sua explanação, Pimenta disse que a empresa “fez uso de todos os recursos disponíveis para conter o vazamento”.

Minc afirmou que está trabalhando com a PF para avaliar possíveis irregularidades cometidas pela empresa norte-americana Chevron “Houve crime ambiental cujo o responsável é a empresa jurídica Chevron”, declarou Minc.

O secretário disse ainda que as resoluções da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), que ontem (23) determinou a suspensão das atividades da empresa no Brasil, foram importantes.

“Não somos xiitas. E, apesar de sermos tropicalistas, não somos uma república de bananas. E, se não dermos uma resposta dura agora e com o pré-sal, as empresas podem achar que podem vir aqui e fazer o que bem entender”, disse Minc.

Chevron rebate críticas

A Chevron rebateu as críticas sobre o que foi classificado de demora em se manifestar sobre o acidente. “Nós procuramos não conjecturar. O que posso dizer é que aplicamos todo nosso equipamento para conter o vazamento e assumimos a responsabilidade pelo incidente. Além disso, trabalhamos com transparência e em cooperação com as autoridades brasileiras, houve livre acesso a nossa sala de reunião de emergência”, disse Pimenta.

Segundo ele, o acidente teve sua fonte controlada em quatro dias. Ele disse ainda que a empresa “está comprometida em assumir sua responsabilidade em caso de dano remoto às praias de municípios do litoral brasileiro”.

Existe a chance de que parte do óleo possa parar na costa brasileira se houver uma mudança nas condições climáticas da área onde ocorreu o vazamento.

Entenda o vazamento

O acidente na bacia de Campos ocorre pelo menos desde o dia 8 deste mês, mas as informações sobre o volume do vazamento ainda são estimadas.

De acordo com a ANP, teriam sido pelo menos 3.000 barris de petróleo derramados, já a Chevron fala em 2.400 barris. Ainda segundo a ANP, a “fonte primária do vazamento está controlada”, mas há uma exsudação (transpiração) sendo observada num ponto com pequeno fluxo. A Chevron confirmou que ainda há vazamento.

Compare o acidente na bacia de Campos com o vazamento no golfo do México em 2010, o pior da história dos Estados Unidos

  EUA BRASIL
 
Empresa BP (Reino Unido) Chevron (EUA)
Multa R$ 35 bilhões R$ 50 milhões
Litros vazados 779 milhões 365 mil litros*
Multa: R$/litro 44,9 136,7
  • Fonte: Folha de S. Paulo
  • * Estimativa da ANP

Os danos causados só serão mensurados depois de uma análise de dano ambiental a ser concluída apenas com o fim do derrame, segundo informações do presidente do Ibama.

Na última segunda-feira (21), a ANP emitiu dois autos de infração contra a Chevron: um pelo não cumprimento do “Plano de Abandono do Poço” apresentado pela própria empresa à ANP e outro pela adulteração de informações sobre o monitoramento do fundo do mar. Os valores das multas serão definidos apenas ao final do processo administrativo.

No mesmo dia, o Ibama multou a empresa em R$ 50 milhões – valor máximo estipulado com base na Lei do Óleo (nº 9.966/2000). Segundo a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, novas multas poderão ser aplicadas depois de análises de relatórios.

O delegado da Polícia Federal, Fábio Scliar, que investiga o caso, disse que a Chevron pode ser indiciada duas vezes por crime ambiental, caso fiquem comprovada a responsabilidade no vazamento do óleo e no uso de técnicas, para a contenção do petróleo, que agridem o meio ambiente.

A Polícia Federal também investiga indícios de que funcionários estrangeiros da empresa Chevron, que trabalhavam na área da perfuração onde ocorreu o vazamento, não tinham permissão para trabalhar no Brasil.

Veja as imagens do vazamento divulgadas pela ANP

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