Corte de luz em Campos, no Rio, é para forçar saída de moradores, diz secretário

Flávia Villela
Da Agência Brasil, no Rio

O secretário da Defesa Civil de Campos dos Goytacazes, no norte fluminense, Henrique Oliveira, informou hoje (6) que a luz foi cortada na região de Três Vendas, em Campos (RJ), para forçar a saída de cerca de 500 famílias que se recusam a deixar o local. A área foi completamente alagada depois que um trecho da rodovia BR-356, que serve como barragem para conter as águas do rio Muriaé, se rompeu, criando uma cratera de aproximadamente 20 metros.

“Há previsão de mais chuva durante todo o verão e as estruturas das casas podem não aguentar. Vamos de casa em casa de barco, com assistentes sociais, tentar convencer as pessoas sobre os perigos de doenças como a dengue, a leptospirose e explicar que essa situação deve se manter durante muitos dias ainda”.

Localização do dique rompido em Campos

  • Arte UOL

Durante todo o dia de hoje, a Secretaria da Defesa Civil realiza operação para tentar convencer as famílias a saírem do segundo andar de suas casas.

Ontem (6) bombeiros retiraram às pressas do local, em caminhões e barcos, cerca de 4.000 moradores e parte de seus objetos pessoais. As famílias retiradas se encontram temporariamente em duas escolas municipais.

"O trecho destruído da estrada só poderá ser reconstruído depois que o rio baixar. Por isso, é difícil ter uma previsão de quanto tempo vai levar para os moradores poderem voltar às suas casas”, disse o secretário.

Ele lembrou que em 2007, o rio Muriaé já havia destruído parte da BR-356 e alagado Três Vendas. Os moradores ficaram quatro meses com suas casas sob as águas e perderam tudo. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes fez os reparos em 2008.

Campos de Goytacazes não está na lista dos 251 municípios em áreas de risco (veja a lista em PDF) no mapeamento  feito pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM). O levantamento inclui as áreas mais propensas a sofrer algum tipo de desastre natural. Reportagem publicada pelo site Contas Abertas mostra que, desses 251 municípios, apenas 23 receberam recursos em 2011.

Situação do Estado

O rompimento do dique em Campos de Goytacazes fez subir o número de pessoas fora de casa nas regiões norte e nordeste do Estado --as mais afetadas pelas chuvas. Outras cidades também registraram aumento no número de pessoas afetadas.

De acordo com o novo boletim divulgado pelo governo do Rio, já são mais de 34 mil pessoas desalojadas (na casa de parentes ou amigos) e desabrigadas (em abrigos públicos) na região. Na quarta-feira (4), esse número era de cerca de 24 mil.

Continuam em situação de emergência seis municípios: Laje do Muriaé, Santo Antônio de Pádua, Itaperuna, Italva, Cardoso Moreira e Miracema. Campos de Goytacazes ainda não decretou o estado de emergência.

Na cidade de Itaperuna, os desalojados subiram de 5.000 para 7.000 e os desabrigados, que eram 60, chegam a 120. Em Italva, o número de desalojados aumentou: de 500 ontem para 6.000 hoje; os desabrigados continuam sendo 90.

Aumentam o número de afetados as cidade de Campos de Goytacazes --que tem cerca de 3.000 desalojados e 592 pessoas desabrigadas-- e São Fidélis, com 283 desalojados e 52, desabrigados. As duas cidades foram incluídas na lista hoje.

Santo Antônio de Pádua, que tinha 12 mil desalojados e 1.200 desabrigados ontem, registra hoje o mesmo número de desalojados, mas contabiliza 300 desabrigados. Já em Laje de Muriaé, os números são os mesmos: 2.500 desalojados e 100 desabrigados --a cidade contabiliza um morto.

No município de Aperibé, a situação melhorou: eram 1.800 desalojados e 60 desabrigados ontem, e agora são 600 desalojados e apenas nove desabrigados. Cambuci continua com 310 desalojados e 80 desabrigados.

Em Cardoso Moreira, que tem 90% de sua área alagada, segundo o secretário municipal de Defesa Civil, Juarez Noé, os números continuam parecidos com os de ontem: são 1.235  pessoas desalojadas e outras 619, desabrigadas.

 

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