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Acusado de chefiar jogo do bicho no Rio, patrono da Beija-Flor é preso

Aniz Abraão David, patrono da escola de samba Beija-Flor, é preso no Rio - Ana Carolina Fernandes/Folhapress
Aniz Abraão David, patrono da escola de samba Beija-Flor, é preso no Rio Imagem: Ana Carolina Fernandes/Folhapress

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio de Janeiro

11/01/2012 15h54Atualizada em 11/01/2012 16h30

A Corregedoria da Polícia Civil do Rio de Janeiro (Coinpol) prendeu nesta quarta-feira (11) o contraventor Aniz Abraão David, o Anísio, 75, que é acusado de chefiar uma quadrilha do jogo do bicho em Nilópolis, na Baixada Fluminense.

Essa é a terceira prisão do idoso, que só foi possível em razão da anulação de um habeas corpus preventivo. O patrono da escola de samba Beija-Flor foi autuado por formação de quadrilha armada, e apresentado na tarde de hoje na sede da Polícia Civil.

O bicheiro estava andando normalmente pela rua quando recebeu voz de prisão dos agentes da Coinpol. Ele foi localizado nas proximidades de um laboratório médico em Copacabana, na zona sul, e estava na companhia de um aposentado, identificado como Maurício de Oliveira, e do policial civil Pedro Cardoso de Almeida. Os dois possivelmente eram responsáveis pela segurança do contraventor.

Foram apreendidos R$ 7.698 e cerca de US$ 180 em poder de Anísio. Já o policial civil detido portava uma pistola 9mm, dois carregadores e uma algema pessoal.

O advogado do patrono da Beija-Flor, Ubiratan Guedes, argumentou que a prisão de seu cliente não era necessária, já que o contraventor supostamente se colocou à disposição da Justiça para prestar depoimento.

"Na segunda-feira nós encaminhos uma petição para a Procuradoria-Geral da Justiça na qual o meu cliente se coloca à disposição para prestar depoimento. A polícia não tinha necessidade de promover todo esse circo", disse.

O advogado argumentou que o seu cliente já possui idade avançada e não "precisaria fugir". Ubiratan Guedes já entrou com um pedido de habeas corpus.

Segundo a chefe de Polícia Civil do Rio, Martha Rocha, os agentes continuam trabalhando para prender outros acusados de chefiar quadrilhas do jogo do bicho, e que também são patronos de escolas de samba do Carnaval carioca. São eles Luizinho Drummond, presidente da Imperatriz Leopoldinense, e Helinho de Oliveira, da Grande Rio.

De acordo com o corregedor da Polícia Civil, Gilson Emiliano, os policiais pretendem cumprir outros sete mandados de prisão expedidos contra suspeitos investigados na operação Dedo de Deus. As ordens de prisão, incluindo a que possibilitou a captura de Aniz Abraão David, foram revalidadas na noite desta terça-feira (10) pelo desembargador do Tribunal de Justiça Paulo Rangel.

Procura

Anísio começou a ser procurado após a deflagração da operação Dedo de Deus, em dezembro, que investigava uma quadrilha do jogo do bicho supostamente chefiada por Hélio de Oliveira, o Helinho, presidente da escola de samba Acadêmicos do Grande Rio.

Na época da operação, a polícia entrou na luxuosa mansão de Anísio e apreendeu mais de R$ 500 mil, além de obras de arte, joias e documentos.

Para entrar no imóvel, localizado na avenida Atlântica, em Copacabana, zona sul do Rio, os agentes utilizaram a técnica de rapel com o apoio de helicópteros da Polícia Civil. A cena atraiu a curiosidade das pessoas que transitavam pelo local.

Mais de 40 pessoas foram detidas no Rio e em Estados do Nordeste –Pernambuco, Bahia e Maranhão.

Segundo a polícia, a quadrilha é responsável por promover uma modernização do tradicional jogo de azar, o que inclui a captação eletrônica das apostas por meio de máquinas semelhantes às das operadoras de cartão de crédito –cada equipamento é avaliado em R$ 1.200.

Os criminosos respondem pelos crimes de contravenção, corrupção ativa e passiva e formação de quadrilha armada. Se condenados, eles podem receber penas de até 45 anos de prisão.