No Recife, dependentes químicos ameaçam transformar igreja em cracolândia

Carol Guibu
Do UOL, no Recife

O que era para ser um local de recuperação de dependentes químicos tornou-se ponto de consumo de drogas no Recife. No centro da cidade, todos os dias, pelo menos 50 dependentes químicos se reúnem em frente à Cristolândia, projeto financiado pela Junta de Missões Nacionais da Convenção Batista Brasileira, e, ali, antes dos cultos realizados pela entidade, fumam maconha e crack e cheiram cola, bem na frente da igreja.

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De acordo com um taxista que preferiu não se identificar, os dependentes químicos têm espantado as pessoas que circulam pelos arredores da igreja. Segundo ele, por causa da concentração dos "viciados" e do consumo de drogas, muitas evitam o local. "Sei que a intenção da igreja é boa, mas essas pessoas [os dependentes químicos] não querem melhorar, querem só comer pra ficar fortes e sair assaltando por aí", disse.

Além do consumo das drogas, a comerciante Fernanda Ferreira relatou que muitos dos assistidos pelo programa andam armados com facas, causando baderna e brigas entre si. "Eles chegam intimidando todo mundo. Certa vez, porque eu neguei café a um deles, fui ameaçada, e hoje trabalho todos os dias com medo."

Ainda segundo a comerciante, mulheres e filhos dos dependentes químicos muitas vezes escondem as drogas no momento da abordagem policial. "Quando a polícia chega, os viciados passam a maconha e o crack para eles, já que os policiais masculinos não podem revistar as crianças e as mulheres", afirmou.

Outro lado

De acordo com o pastor Gleydson Moraes, um dos responsáveis pela Cristolândia de Recife, a proposta do projeto é de "resgatar as pessoas do submundo das drogas". Apesar disso, ele tem consciência de que o trabalho é longo. "Sei que é quase impossível solucionar esse problema rapidamente, mas, se de cem dependentes conseguirmos tirar um da rua, já é lucro."

O projeto já encaminhou, apenas na capital pernambucana, dez dependentes químicos para internação. Atualmente, a Cristolândia do Recife atende a cerca de 60 usuários de drogas, que recebem ajuda psicológica, roupas e alimentos.

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