Onda de paralisações nos serviços públicos atrapalha vida de moradores de Fortaleza

Angélica Feitosa
Do UOL, em Fortaleza

 

Este ano de 2012 começou em Fortaleza com uma onda de paralisações que vem atrapalhando a vida dos cidadãos na capital cearense. Nos últimos dias de 2011, pararam os bombeiros e policiais militares. Eles tiveram a maior parte das reivindicações atendidas, e, a partir daí, podem ter incentivado outras categorias a buscar melhores condições de trabalho e salários. 

A AMC (Autarquia Municipal de Trânsito, Cidadania e de Serviços Públicos) deflagrou greve no fim da tarde de sexta (3), e, pelo segundo fim de semana consecutivo, ficaram a cargo da Polícia Rodoviária Estadual os serviços de ordenamento de trânsito dos blocos de pré-Carnaval em toda a cidade.

Os servidores municipais do maior hospital de urgência e emergência do Ceará, o IJF (Instituto Dr José Frota), do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), do Croa (Centro de Assistência à Criança), da Emlub (Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana), da Usina de Asfalto, do Ipem (Instituto de Pesos e Medidas) e das secretarias executivas regionais decidem até a próxima quinta (9) se param.

Os hospitais municipais, de atendimento secundário, também podem anunciar a paralisação nessa data. Agentes de saúde fizeram uma manifestação em frente à Secretaria Municipal de Saúde na tarde da última sexta-feira (3). Na última quarta (1º) foi a vez de a Guarda Municipal fechar os acessos dos ônibus em um terminal de integração por uma hora e meia.

Antecipação de data-base

De acordo com a presidente do Sindifort (Sindicato dos Servidores e Empregados Públicos de Fortaleza), Nascélia Silva, o período em que as manifestações ocorrem tem relação com o pedido de antecipação da data-base de negociações, de maio para janeiro.

O sindicato aponta a possibilidade de greve geral no funcionalismo público de Fortaleza. Quase todas as categorias, exceto professores e médicos, já sinalizaram paralisação para o dia 9. O Sindifort quer aumento salarial de 20% para todos os servidores. A prefeitura de Fortaleza oferece 3,1%.

“Estamos nos concentrando para realizar uma assembleia geral da Câmara dos Vereadores na próxima quinta, às 9 horas. A prefeitura quer dar só a reposição da inflação, mas nós não aceitamos”, informou Nascélia.

Segundo a presidente, entre as outras reivindicações gerais estão melhoria das condições de trabalho e incorporação das gratificações. O sindicato também quer a equiparação de benefícios. “A prefeitura pagou 140% do 13º salário somente para os professores. Nós queremos esse benefício para todos os servidores”, disse ela.

176% em sete anos

O titular da Secretaria de Administração Município de Fortaleza (SAM), Vaumik Ribeiro, informou que, desde o início da gestão da prefeita Luizianne Lins (PT), há sete anos, o reajuste médio dos servidores foi de 176%. Descontando a inflação do período, chega-se a 95%. “O poder de compra médio dos servidores praticamente dobrou nesse período”, informou Ribeiro.

O secretário disse ter feito uma proposta que deve ser apresentada aos servidores na próxima quarta (8). Entre as medidas, ele destaca aumentos das gratificações e do vale alimentação, incentivo à titulação e pagamento de anuênio, entre outros. No entanto, declara que para o município não há a capacidade de reajuste maior de 3,1% no salário-base. “Esperamos que tudo seja resolvido até a próxima quarta”, disse.

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