Preso em Maceió, pai de Eloá diz lamentar "não ter resgatado minha filha"

Do UOL, em São Paulo

O pai de Eloá Cristina Pimentel, 15, Everaldo dos Santos, disse que esperava poder ter salvado a filha, morta pelo ex-namorado dela, Lindemberg Fernandes Alves, durante sequestro em Santo André (Grande São Paulo) em 2008. Santos está preso em Maceió (AL), condenado a 33 anos de prisão por uma série de assassinatos enquanto era cabo da PM na cidade em 1991.

Em entrevista ao programa “Fantástico”, da Rede Globo, Santos afirmou que aceitava o namoro da filha com Lindemberg e que “nunca poderia adivinhar que ele se tornaria um monstro”.

Foi em razão da ampla cobertura da mídia do sequestro da filha Eloá que Santos acabou sendo reconhecido por policiais e denunciado em Maceió. Ele estava foragido desde 1991, acusado de assassinatos. Santos também é acusado de ser membro de um suposto esquadrão da morte chamado “Gangue Fardada”, que existiu nos anos 90.

Pai de Eloá nega envolvimento em
quadrilha de Alagoas

O pai de Eloá Cristina Pimentel negou nesta terça-feira (21) que tenha cometido os crimes pelos quais é acusado pela polícia de Alagoas. Em entrevista à rádio CBN, Everaldo Pereira dos Santos - que havia se apresentado como Aldo Pimentel - afirmou que é perseguido por autoridades do Estado e que tem medo
de ser morto

“Quando me viram na televisão, todos sabiam quem eu era e onde eu estava”, disse à TV.

Santos foi julgado à revelia em outubro de 2009 e condenado pelas mortes de Ricardo Lessa, delegado, e Antônio Carlota, motorista. Pelos crimes, foi sentenciado a 33  anos de reclusão, que está cumprindo em uma prisão modelo em Maceió.

Sobre a morte da filha, o ex-PM acusou a polícia paulista de ter agido errado na condução do fim do sequestro. “Eles errraram de A a Z”, disse. Santos também contou que foi ameaçado por Lindemberg quando falou com o rapaz por telefone durante o sequestro. “Ele disse que gostava de mim, mas que me mataria se eu tentasse entrar na casa.”

Julgamento

Começa nesta segunda-feira (13) o julgamento sobre a morte da jovem Eloá Pimentel, mantida refém por cerca de cem horas por seu ex-namorado Lindemberg Alves, 25, e morta ao final do cárcere. O caso ocorreu em um conjunto habitacional na periferia de Santo André, na Grande São Paulo, no dia 13 de outubro de 2008 e foi transmitido ao vivo pela imprensa durante dias seguidos.

Lindemberg passará por um júri popular e a previsão é que o julgamento, conduzido pela juíza Milena Dias, dure de três a quatro dias. O réu é acusado de cometer 12 crimes, entre eles homicídio duplamente qualificado por motivo torpe, tentativa de homicídio (contra a amiga de Eloá Nayara Rodrigues --que também foi feita refém e levou um tiro no rosto-- e contra o sargento Atos Valeriano, que participou da ação), cárcere privado e disparos de arma de fogo. Lindemberg está preso desde 2008.

 

Ao todo, serão ouvidas 19 testemunhas, sendo cinco de acusação e 14 de defesa. As testemunhas de acusação convocadas pelo Ministério Público são Nayara Rodrigues; Vitor Lopes de Campos e Iago Vilela de Oliveira, amigos de Eloá que estavam no apartamento dela quando Lindemberg invadiu o local; Ronickson Pimentel, irmão mais velho da vítima; e o sargento Atos Valeriano, que participou da negociação para libertação das reféns e também foi baleado.

Já a defesa chamou 14 testemunhas, sendo quatro peritos criminais, um advogado, o delegado que presidiu o inquérito policial, dois policiais do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) e seis jornalistas, entre eles Sônia Abrão e Roberto Cabrini.

Entenda o caso

Inconformado com o fim do relacionamento, Lindemberg Fernandes Alves, 22, invadiu o apartamento de Eloá Cristina Pimentel, 15, no segundo andar de um conjunto habitacional na periferia de Santo André, na Grande São Paulo, no dia 13 de outubro de 2008. Armado, ele fez reféns a ex-namorada e outros três amigos dela, que estavam reunidos para fazer um trabalho da escola.

Em mais de cem horas de tensão, Lindemberg chegou a libertar todos os amigos, mas Nayara Rodrigues, 15, acabou retornando ao cativeiro, no ponto mais polêmico da tragédia --a polícia foi bastante criticada pela ação.

Em depoimento, Nayara afirmou que, após ter sido liberada, foi procurada por policiais que queriam que ela tentasse convencer Lindemberg a libertar Eloá pelo telefone. Então ela os acompanhou até o local do sequestro e foi orientada pelo rapaz ao celular a subir as escadas. Nayara disse que Lindemberg prometeu que os três desceriam juntos mas, quando chegou à porta, viu que ele estava com a arma apontada para a cabeça de Eloá. Então, ele puxou Nayara para dentro do apartamento e não a libertou mais.

Mais tarde, policiais militares do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) invadiram o apartamento, afirmando que ouviram um estampido do local. Em seguida, foram ouvidos tiros. Dois deles atingiram Eloá, um na cabeça e outro na virilha, e outro atingiu o nariz de Nayara. Eloá morreu horas depois. Lindemberg, sem nenhum ferimento, foi preso.

*Com reportagem de Débora Melo e Larissa Leiros Baroni

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