Billings completa 87 anos com um terço da capacidade de produção de água

Mariângela Lisboa
Jéssica Rodrigues
Do RROnline*

  • Folhapress

    A represa paulistana Billings, que completa 87 anos

    A represa paulistana Billings, que completa 87 anos

A Represa Billings, importante reservatório localizado na região metropolitana de São Paulo, completa 87 anos nesta terça-feira (27), mas tem pouco a comemorar.  Com área de drenagem de 1.560 km², o local já respondeu pela produção de 30 m³ por segundo de água à época da inundação, em 1925. Mais de oito décadas depois, a Billings perdeu dois terços de sua capacidade inicial e conta, atualmente, com vazão em torno de 10 a 11m³ por segundo. Um metro cúbico equivale a mil litros de água.

O reservatório abastece parte da capital, além de cinco cidades da região do ABC paulista: Santo André, São Bernardo do Campo, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. No total, quase 2 milhões de pessoas consomem água da Billings no Estado.

De acordo com o presidente da organização não-governamental Proam (Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental), Carlos Bocuhy, um dos motivos dessa redução é a perda de áreas de preservação permanente. Também conhecidas como APP’s, essas áreas são protegidas pela Lei Federal nº 4.771/65, mas foram seguidamente ocupadas por moradias e estabelecimentos irregulares. O desmatamento que acorreu no lugar destruiu algumas nascentes e diminuiu a umidade do solo.

A represa também perdeu sua capacidade de armazenar água por causa da terra das margens que, com o tempo, se acumulou no fundo da represa. Esse fenômeno é conhecido como assoreamento, uma causa natural que foi agravada pelo falta de preservação da mata ciliar dessas áreas.

A Billings foi represada para abastecer a hidrelétrica de Cubatão. Como o local não possuía água em volume suficiente, eram feitos bombeamentos dos rios Pinheiros e Tietê. Esse processo foi interrompido em 1992, porque o nível de poluição na represa tornou-se muito alto, consequência do descarte de esgoto residencial e industrial nos rios.

No entanto, o bombeamento do Pinheiros ainda é acionado quando o rio transborda. A medida serve para minimizar as enchentes na capital, mas potencializa a poluição da represa. “A Billings não é mais a latrina de São Paulo, mas ainda é o ralo da região metropolitana”, afirmou o ambientalista Bocuhy.

Bocuhy lembra, ainda, que os esgotos dos municípios de Diadema, São Bernardo e da zona sul de São Paulo ainda vão para a Billings. Por causa desse problema, foi criado o Projeto Tietê. Foram construídas cinco grandes estações para tratamento de esgoto, mas são necessárias estações elevatórias para levar esse esgoto até os pontos de tratamento. “No Projeto Tietê, houve desorganização entre Estado e prefeituras. Falta o planejamento integrado. As estações estão concluídas, mas o transporte não”, afirmou.

*Esta reportagem foi produzida por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de SP

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