Sargento preso acusado de chefiar milícia no Rio já foi candidato a vereador; PSOL nega atuação de policial

Fabio Leite
Do UOL, no Rio

Preso na manhã desta terça-feira (17) acusado de chefiar uma milícia na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, o sargento da Polícia Militar Vandro Lopes Gonçalves foi candidato a vereador do município de Magé em 2008 pelo PSOL, partido do deputado estadual Marcelo Freixo, que presidiu a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) das Milícias na Assembleia Legislativa do Rio, instalada naquele ano. Segundo a Polícia Civil, Gonçalves não se elegeu, mas tinha pretensão de concorrer ao cargo novamente nas eleições de outubro.

O subsecretário de Inteligência da Secretaria de Estado da Segurança, Fábio Galvão, um dos responsáveis pela Operação Roma, que prendeu Gonçalves e outros quatro milicianos em Magé nesta terça, disse que a candidatura de milicianos a cargos no Legislativo é uma prática comum dentro das organizações criminosas "para aumentar o poder de influência na população e junto ao poder público".

O sargento, que estava lotado no 34º Batalhão da PM, na mesma região onde atuava a milícia, no bairro de Fragoso, é apontado como mentor intelectual da milícia. "Ele era o autor intelectual dos crimes. Agiu como mandante", afirmou Galvão. Segundo as investigações, a milícia atuava na região desde 2007 e cometeu ao menos seis homicídios. Gonçalves era o único agente público envolvido.

De acordo com o promotor do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) Bruno Gangoni, os crimes eram brutais e por motivos fúteis. "Chama atenção a violência com que a milícia atuava na região. Várias vítimas foram mortas com tiro na nuca, por motivos banais. Tivemos vítimas assassinadas por questionarem uma ou outra atitude da milícia", disse.

Em um deles, segundo o Gaeco, o jovem Joelson Carlos Suterio foi morto em frente de casa, em Fragoso, no município de Magé, porque havia pedido para um miliciano parar de dar tiros para o alto. "Em vez de atirar para o alto, o miliciano atirou na cabeça dessa pessoa", informou Gangoni. Em outro caso, um homem bêbado foi executado com um tiro na nuca na calçada porque incomodava moradores da região.

Ao todo, seis denúncias de homicídios foram apresentadas à Justiça. Além do sargento Gonçalves, denunciado três vezes, estão na lista os irmãos gêmeos Marcelo Costa Teixeira e Márcio Costa Teixeira, João Carlos de Castro Pinheiro, Daniel Faria dos Reis, Evan Pacheco de Medeiros e Leandro de Almeida Ribeiro. Dois deles ainda estão foragidos.

PSOL nega atuação de PM

Em conversa com o UOL na tarde de hoje, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) negou que o policial militar Vandro Lopes Gonçalves tivesse atuação dentro do partido pelo qual se candidatou a vereador em 2008.

Freixo afirmou ser "muito estranho" o fato de um miliciano ter se filiado ao PSOL justamente no ano em que ele comandou uma comissão parlamentar de inquérito que investigou organizações criminosas do tipo no Estado. "Ele (Gonçalves) se filiou ao PSOL em 2008, não fez campanha, nunca apareceu no partido, teve só cinco votos e não foi eleito. Acho muito estranho e suspeito que um policial militar envolvido com milícia desde 2007 se filie logo ao PSOL no ano da CPI", afirmou.

O deputado disse que já pediu ao delegado Alexandre Capote, da Draco/IE (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais) que investiga se havia ramificações políticas e partidárias da milícia comandada por Gonçalves.

"Não tinha como ninguém do partido naquela época saber isso [que havia um candidato miliciano na sigla] porque essas informações não existiam. A própria polícia só veio prendê-lo agora em 2012", completou Freixo. Segundo o deputado, que é pré-candidato à Prefeitura do Rio, Gonçalves se desfiliou automaticamente do PSOL após as eleições de 2008 porque não poderia permanecer ligado a um partido sendo policial militar.

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