Termina greve em Belo Monte, mas sindicato tentará rever decisão judicial

Pedro Peduzzi
Da Agência Brasil, em Brasília

Os trabalhadores da Usina Hidrelétrica de Belo Monte já estão retornando às atividades. A informação foi confirmada pelo vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada (Sintrapav), Roginel Gobbo.

Segundo ele, o fator decisivo para esse retorno foi o "movimento jurídico adotado pelo” Consórcio Construtor de Belo Monte (CCBM), responsável pela obra, perante o Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região.

A corte considerou a greve ilegal e aplicou uma multa diária de R$ 200 mil, retroativa ao dia 23 de abril.

“Fomos forçados a encerrar a greve”, disse Roginel Gobbo à Agência Brasil. “Eles simplesmente atropelaram o processo de greve, que foi encerrada sem que uma assembleia fosse realizada. Isso gerou, nos trabalhadores, uma frustração que já está virando revolta e sentimento de impotência. Daqui pra frente a situação ficará imprevisível”, declarou o sindicalista.

Apesar da derrota no Judiciário, o Sintrapav ainda tem esperanças de reverter a situação. “Vamos pedir a revisão do acordo coletivo, já que, na época em que ele foi feito, o percentual de trabalhadores vindos de outros estados era menor, e a questão da baixada [folga dada aos trabalhadores vindos de outros Estados, para visitarem suas famílias] não tinha o mesmo peso que tem agora”, argumentou Gobbo.

O CCBM disse à Agência Brasil que, de fato, o perfil de trabalhadores tem mudado com o passar do tempo. De acordo com o grupo, atualmente, 64% dos contratados moram no Pará. Em alguns momentos, esse percentual beirou os 90%.

Segundo o consórcio, ao longo da obra, a tendência será a de começar a aumentar o número de trabalhadores de outros estados, mas que “ainda por uns dois meses, essa superioridade continuará, até por ser uma estratégia econômica e socialmente mais saudável”.

O consórcio reiterou, ainda, a decisão de só sentar para negociar no período decidido por acordo coletivo. A data-base para essas negociações é novembro.

Entre as reivindicações dos trabalhadores, duas não foram atendidas: a redução do período que chamam de baixada [quando recebem uma folga de nove dias para visitar a família, com passagens pagas pelo CCBM], e o aumento no valor do vale alimentação dos atuais R$ 95 para R$ 300. O consórcio só acenou com um acréscimo de R$ 15.

 

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