Trânsito no Rio deve ficar caótico nos próximos dias com chegada de chefes de Estado; saiba como será o esquema
Hanrrikson de Andrade
Do UOL, no Rio
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Marco Antonio Teixeira/UOL
Engarrafamento fez ônibus da Rio +20 levar uma hora e meia do Leblon ao Riocentro
A Rio+20, Conferência da ONU que teve início na quarta-feira (13) e segue até o dia 22 de junho, no Rio de Janeiro, ainda não provocou impactos significativos no trânsito da capital fluminense, cujos problemas já eram facilmente observáveis em função das diversas obras realizadas na cidade --em face da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016.
O panorama deve mudar a partir da próxima terça-feira (19) quando cerca de 50% de mais de cem chefes de Estado e de governo chegarão ao Rio para a conferência sobre desenvolvimento sustentável. Mais de 130 comboios estarão em trânsito pela cidade, segundo o governo municipal.
De acordo com o prefeito Eduardo Paes, o caos será inevitável: "O sucesso da conferência é um transtorno para o dia a dia da cidade, dado o fato de que o Rio passa a ser a capital do mundo. Será a maior presença de chefes de Estado na história das conferências da ONU".
Os focos de congestionamentos mais intensos ocorrem desde o início da semana nos locais onde estão os eventos da Rio+20, principalmente na Barra da Tijuca e no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste, e em Copacabana, na zona sul. Os motoristas devem evitar as áreas dos principais palcos da conferência, o Riocentro e o Parque dos Atletas, nas quais o fluxo de pessoas e de veículos é maior.
Na abertura da conferência, na quarta-feira (13), os cariocas e fluminenses encontraram uma situação atípica: enquanto as vias de acesso em direção ao centro da cidade apresentavam boas condições de trânsito, os acessos à Barra da Tijuca e ao Recreio dos Bandeirantes tinham muitas retenções.
Na Linha Amarela, a principal via expressa no sentido Riocentro, formou-se um longo engarrafamento desde o acesso da avenida Brasil até o bairro de Jacarepaguá. Segundo relatos publicados em redes sociais, alguns motoristas levaram mais de duas horas para realizar o trajeto.
Na estrada Lagoa-Barra, que faz a conexão entre as zonas sul e oeste, onde o trânsito geralmente flui com lentidão, a situação era ligeiramente pior em função da abertura da conferência da ONU. Por conta do engarrafamento, o ônibus oficial exclusivo da Rio+20 levou cerca de uma hora e meia para chegar ao Riocentro por este caminho.
ENGARRAFAMENTO
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Na abertura da conferência Rio+20, na última quarta-feira (13), os motoristas enfrentaram um longo congestionamento na avenida Ayrton Senna
Na quarta-feira (13), as condições também não eram boas na Linha Vermelha, que será utilizada pela maioria das comitivas estrangeiras que desembarcarão no Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, na Ilha do Governador, na zona norte. A segurança na via expressa --margeada pelas favelas do Complexo da Maré, e famosa pelos casos de arrastões promovidos por traficantes-- é feita pela Marinha.
O mesmo ocorreu na quinta-feira (14), quando a Linha Vermelha foi uma péssima opção para quem tentava se deslocar no sentido Caju, na zona portuária do Rio. O panorama era igual na altura do corte do Cantagalo, em Copacabana, na zona sul, caminho este utilizado por muitos veículos que se dirigiam para o Forte de Copacabana, onde ocorre o ciclo de palestras e atividades Humanidade 2012 -evento paralelo à Rio+20.
Na manhã desta sexta-feira (15), os motoristas devem encontrar muitas retenções no trajeto pelo aterro do Flamengo, na zona sul, região que recebe a partir de hoje a Cúpula dos Povos, evento que integra a agenda da conferência da ONU. Por enquanto, como o fluxo de pessoas no local ainda não é intenso, não há informações sobre congestionamentos.
Operação semelhante a do Rock in Rio
As interdições, restrições e pontos de bloqueio na região do Riocentro, palco das principais atividades da Rio+20, serão semelhantes às mudanças implementadas para o Rock in Rio, em setembro do ano passado.
No entanto, não haverá tempo hábil para cadastrar os moradores das quatro vias situadas no entorno do Riocentro -- durante o Rock in Rio, foram distribuídos adesivos especiais. Para acessar as ruas Salvador Allende, Olof Palme, Abraão Jabour e Abelardo Bueno, os moradores do Recreio dos Bandeirantes terão que apresentar comprovante de residência.
"Dessa vez a gente não vai fazer adesivo porque se trata de um dia apenas, e seria uma logística muito complicada. Pedimos o bom senso dos moradores, que poderão ter acesso a seus condomínios apresentando um comprovante de residência", explicou a presidente da CET-Rio, Cláudia Antunes Sercin.
Mudanças na Niemeyer
Durante o período dos debates entre os chefes de Estado no Riocentro --dias 20, 21 e 22--, a avenida Niemeyer, via que liga a zona sul do Rio à Barra da Tijuca, na zona oeste-- terá um esquema de trânsito especificamente planejado. Segundo a CET-Rio, apenas os motoristas que moram na favela do Vidigal ou que estejam hospedados nos hotéis situados na avenida Niemeyer devem utilizar a via. "O motorista que se aventurar pela Niemeyer como rota de passagem certamente enfrentará problemas", disse o secretário Carlos Osório. "A Niemeyer tem uma apenas uma faixa por sentido e possui um trajeto com muitos aclives. O ideal mesmo seria fechá-la. Mas isso impediria acesso aos hotéis da região", completou o diretor de operações da CET-Rio, Joaquim Dinis.
Já os motoristas que quiserem evitar a região, há a opção de seguir pela estrada Arroio Pavuna e utilizar a rua Bemvindo de Novaes para chegar á avenida das Américas, a principal via da Barra da Tijuca.
De acordo com o secretário municipal de Conservação e Serviços Públicos, Carlos Osório, as mudanças ocorrem em função do "incremento de mais de 30% de chefes de Estado em relação aos que confirmaram originalmente". A maioria chegará ao Rio nos dias 19 e 20 de junho.
"Estamos trabalhando nesse esquema de trânsito há pelo menos um ano, e é claro que todo planejamento pode ser alterado de acordo com as variáveis do próprio evento. Não esperávamos que mais de 70% das autoridades confirmadas fossem chegar já na terça e na quarta", afirmou.
O secretário explicou que o esquema especial de trânsito estabelece duas rotas preferenciais para a circulação de comboios e comitivas internacionais: o trajeto Galeão-zona sul (80% dos hotéis estão situados em bairros como Copacabana, Leblon e Ipanema) e o trajeto zona sul-Riocentro, começando na avenida Vieira Souto, em Ipanema, e terminando na rua Salvador Allende, no Recreio dos Bandeirantes.
Rio+20 em fotos
Veja Álbum de fotosFaixas exclusivas na Linha Vermelha
A CET-Rio também vai criar faixas exclusivas na Linha Vermelha nos dias 19 (terça), 20 (quarta) e 22 de junho (sexta), quando ocorrem no Riocentro os debates entre os chefes de Estado e de governo. Das 5h de terça-feira às 21h de quarta-feira, o corredor funcionará no sentido centro, e será exclusivo para comitivas de autoridades.
Já na sexta-feira (22), das 14h às 21h, a faixa exclusiva servirá para facilitar o trajeto até o Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, na Ilha do Governador.
Mais ônibus
Todas as empresas de ônibus do Rio funcionarão com frota máxima durante o período da Rio+20, segundo a prefeitura. Na zona oeste, serão colocadas à disposição 58 linhas distintas, e os veículos serão personalizadas com cartazes da Rio+20. A prefeitura também anunciou que serão criadas duas linhas especiais (circulares) que farão a conexão direta entre o terminal Alvorada, na Barra da Tijuca, e o Riocentro. O mesmo ocorre na zona sul, onde uma linha especial sairá do shopping Riosul, em Botafogo, em direção ao principal palco das atividades da Rio+20.
Os corredores --que serão sinalizados com cones da prefeitura-- começam na estrada do Galeão e terminam na altura do elevado Mário Henrique Simonsen, o mesmo que liga a Linha Vermelha ao elevado do Gasômetro. A logística de segurança em todo a Linha Vermelha ficará a cargo da Marinha.
"Esperamos uma sobrecarga na avenida Brasil, e por isso reforçamos o pedido para que as pessoas não saiam com seus carros particulares. Teremos um reforço operacional e na quantidade de reboques para evitar problemas maiores", disse o diretor de operações da CET-Rio, Joaquim Dinis.
Dinis afirmou ainda que existe a possibilidade de que alguns chefes de Estado desembarquem na base aérea do Galeão e façam imediatamente o trajeto para o Riocentro, o que demandaria no fechamento total da via por meio de batedores --serão mais de 400 homens do Exército atuando com motocicletas oficiais.
Segundo o secretário Carlos Osório, o novo planejamento da prefeitura mantém a suspensão de todas as faixas reversíveis nos dias 20, 21 e 22. "É natural que os problemas aconteçam, já que as reversíveis são bastante utilizadas", disse.
Já para o dia 19, com a chegada em massa dos chefes de Estado e de governo, a Prefeitura do Rio vai suspender praticamente todas as faixas reversíveis da zona sul da cidade, o que inclui as do Leblon, de Ipanema e de Copacabana. Os únicos corredores mantidos serão os da avenida Niemeyer e do Joá.
Vias liberadas no centro
As ruas Barão de Tefé e Camerino, na região portuária do Rio, que estavam interditadas por conta das obras do projeto Porto Maravilha, foram liberadas para o trânsito às 6h de quarta-feira (13).
"Vai ser um ponto muito importante para desafogar o elevado da Perimetral e o fluxo pela Francisco Bicalho. Mais uma via está sendo devolvida para aliviar a situação na região portuária", disse Joaquim Dinis.
De acordo com a Secretaria Municipal de Conservação, já foram concluídas as obras de drenagem e infraestrutura no local. Para acessar a avenida Presidente Vargas, os motoristas que seguem através da avenida Rodrigues Alves devem optar pela av. Barão de Tefé, rua Camerino e avenida Passos.
O mesmo ocorre com os carros direcionados ao terminal rodoviário Américo Fontinelli, cujo acesso se dá pela rua Barão de São Félix.








