Sogra é suspeita de matar genro ao descobrir que ele era portador do vírus da Aids em Minas Gerais

Rayder Bragon
Do UOL, em Belo Horizonte

A Polícia Civil mineira afirmou que deverá concluir na próxima semana e indiciar por homicídio doloso uma mulher de 54 anos acusada de ter matado a pauladas o genro, um mototaxista de 25 anos, após descobrir que ele era portador do vírus da Aids, em Uberaba (472 km de Belo Horizonte). Segundo a polícia, a mulher, que foi presa na última terça-feira (26), descontrolou-se em razão da possibilidade de a filha de 17 anos, que morava com o homem havia seis meses, ter sido infectada por ele.

O crime ocorreu em março deste ano na casa da vítima, onde a mulher teria ido buscar a filha por não concordar com o relacionamento e retornar com ela para a cidade de Monte Alegre, próxima a Uberaba. A revelação da doença foi feita depois de uma discussão da mulher com o genro, informou o delegado Luiz Antônio Blanco, responsável pelo inquérito. 

“Temos provas bem robustas da culpa dela. Apreendemos o pedaço de madeira utilizado no crime e colhemos depoimentos importantes de testemunhas que presenciaram a ação delas depois do crime, além de a menor ter caído em várias contradições no depoimento que nos prestou”, afirmou.

Segundo o policial, a adolescente supostamente tentou assumir a culpa pelo crime, na intenção de livrar a mãe. Ela foi ouvida e liberada. “A gente percebe que ela está querendo beneficiar a mãe. Mas sem sombra de dúvida foi a mãe quem matou a vítima, apesar de a menor querer assumir a autoria. Mas isso cai em contradição com as provas que a gente tem”, disse  Blanco.

Segundo o policial, a mãe da garota está presa por conta de mandado de prisão temporária em presídio da cidade e afirmou que somente falaria em juízo. Ele informou ainda que uma cópia do inquérito será enviada ao Juizado da Infância e Juventude da cidade para que o órgão se posicione sobre o grau de participação da adolescente no crime.

Detalhes colhidos na cena do crime reforçam as contradições que teriam sido ditas pela adolescente. “Logo após o crime, encontramos uma corrente no portão da casa com o cadeado para o lado de fora. Quem faz isso se ainda está na casa?”, disse o policial. “Elas quiseram passar a impressão de que ele estava vivo no momento em que elas foram embora,”

Exame fica pronto em 30 dias

Blanco declarou que foram encontrados na casa da vítima os celulares das duas mulheres, além de uma bolsa pertencente a uma delas. Ainda segundo ele, testemunhas disseram terem visto, no dia do crime, as duas saindo sozinhas da casa sem a presença do homem na área externa do imóvel.

Conforme o delegado, em um primeiro momento, a adolescente havia tentando culpar pela morte do homem a ex-mulher dele, de quem ele havia se separado recentemente. “Acho que ela fez isso porque havia registro de boletins de ocorrência em desfavor da ex-mulher e da vítima. Ora o autor da ocorrência policial era o homem, ora a autora era a ex-mulher”, afirmou.

Blanco afirmou que um exame para comprovar se a adolescente foi infectada ou não pelo companheiro com o vírus da Aids ficará pronto em 30 dias.

 

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