Greve de servidores da saúde atinge mais um hospital; postos de saúde podem aderir à paralisação
Felipe Martins
Do UOL, no Rio
Servidores federais do Hospital de Ipanema, na zona sul do Rio de Janeiro, aderiram, nesta segunda-feira (2), à greve convocada pela categoria. Segundo o Sindsprev-RJ, que representa os profissionais de saúde do Estado, além do Ipanema, também estariam com os serviços parados o Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, zona oeste, o Andaraí, na zona norte, e o Hospital dos Servidores do Estado, no centro. O HU (Hospital Universitário) da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) também está em greve, segundo informação da reitoria da universidade.
Segundo o sindicato, os servidores do Hospital da Lagoa devem cruzar os braços a partir desta quarta-feira (4). Nos próximos dias, postos de saúde do município com grande contingente de servidores federais como os de Irajá, na zona norte, e de Bangu, zona oeste, também podem aderir à greve.
Para a diretora do Sindsprev-RJ, Cristiane Gerardo, a paralisação foi a única solução encontrada após tentativas de negociação entre os profissionais de saúde e o governo federal. “O nosso salário era equiparado ao dos servidores do INSS. O governo resolveu quebrar essa paridade. Durante quase dois anos nós negociamos com o governo e houve um acordo que chegava próximo a essa equiparação. O Ministério de Saúde assinou e o governo não cumpriu”, disse.
Um dos hospitais mais problemáticos, segundo Cristiane, é o Cardoso Fontes. “A gente tem pacientes internados na enfermaria com o reboco quase caindo em cima deles. A luz da enfermaria improvisada com uma gambiarra. Faltam materiais, equipamentos. São muitos os problemas”.
Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que os serviços de ambulatórios do Cardoso Fontes foram interrompidos. Mas os atendimentos em oncologia, imunodeficiência, odontologia e nefrologia estão realizados normalmente, assim como todos os procedimentos de emergência, de acordo com o ministério.
Segundo o Sindsprev-RJ, no Hospital dos Servidores, estão parados os serviços de odontologia, fisioterapia e o plantão geral. No ambulatório, são atendidos apenas pacientes que já tinham consultas marcadas e o laboratório de análises clínicas funciona parcialmente. Cirurgias eletivas também teriam sido suspensas. O Ministério da Saúde informa, no entanto, que o atendimento ocorre normalmente, o que também foi informado à reportagem do UOL por atendentes do hospital.
No Andaraí, ainda de acordo com o sindicato, a paralisação atingiu somente parte do ambulatório, mas a expectativa é que outros setores também deixem de funcionar. O ministério considera que o hospital está funcionando normalmente. A reportagem do UOL telefonou para o hospital e foi informada que parte dos médicos aderiu à greve, mas que as consultas continuam a ser agendadas.
No Hospital de Ipanema só funcionam serviços essenciais, como oncologia, hemodiálise, diálise, entrega de insulina e outros medicamentos a diabéticos e hipertensos e internações de pacientes de alto risco, além do acompanhamento aos internados. Também estariam sendo atendidos pacientes com consultas previamente agendadas. O Ministério da Saúde confirmou que a marcação de novas consultas foi interrompida no hospital.
HU também enfrenta problemas
Cartazes colados na portaria do HU avisam que a emergência da unidade de saúde está em greve. A unidade é administrada com recursos do FNS (Fundo Nacional de Saúde) e do Ministério da Educação.
No último domingo (1º), professores e estudantes de medicina da UFRJ fizeram uma caminhada na praia de Copacabana em protesto contra os problemas do hospital. Segundo os alunos, a quantidade de leitos diminuiu de 450 para 190.
"Se não houver investimento emergencial do Ministério da Educação, do Ministério da Saúde, o Hospital do Fundão corre o risco, de fato, de fechar as suas portas", disse o diretor do hospital, Roberto Medronho.
No último dia 14, 35 professores da Faculdade de Medicina decidiram se juntar à greve nacional. “O hospital teve sua infraestrutura deteriorada progressivamente", disse a diretora da Adufrj (Associação de Docentes da UFRJ) e professora do departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da UFRJ, Fátima Siliansky.
Em nota, a direção do hospital universitário informou que a instituição passa por reformas desde janeiro. A reforma emergencial foi entregue em junho de 2011, mas, por falta de médicos, ainda não foi possível retomar o atendimento à população. A direção afirmou ainda que o hospital tem estrutura para 304 leitos, mas que apenas 260 estão ativos, por carência de profissionais.






