Ex-PM é morto em roubo à produtora do CQC na zona oeste de São Paulo

Do UOL, em São Paulo

  • Futura Press

    PM registra ocorrência no local onde um policial foi baleado, na avenida Arnolfo Azevedo, em Perdizes

    PM registra ocorrência no local onde um policial foi baleado, na avenida Arnolfo Azevedo, em Perdizes

Um ex-policial militar foi morto na tarde desta terça-feira (3) no bairro de Perdizes, na zona oeste de São Paulo, durante uma tentativa de assalto à produtora Cuatro Cabezas, que produz o programa CQC, exibido na TV Bandeirantes.

A vítima, Denílson Nogueira dos Santos, 35, tentou impedir o crime e acabou sendo alvejada. O ex-PM foi socorrido por um carro da Polícia Militar que passava pelo local e levado ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu. Os assaltantes fugiram sem levar o dinheiro. 

Segundo o delegado Percival de Moura Alcântara Júnior, do 23º DP (Perdizes), uma equipe da produtora tinha acabado de sacar R$ 90 mil em um banco para pagar os funcionários. A polícia investiga se os criminosos sabiam do saque ou se foi alguém de dentro da agência bancária que os informaram.

De acordo com Alcântara Júnior, a polícia está perto de prender os assaltantes. 

Onda de violência

Os números da onda de violência que atinge São Paulo, que já dura 20 dias, não param de crescer: até a tarde desta terça-feira (3), 17 ônibus foram incendiados no Estado e 11 bases de forças de segurança --dez da Polícia Militar e uma da Guarda Civil Municipal-- foram atacadas a tiros.

A maior parte dos ataques ocorreu na Grande São Paulo, mas há registros em cidades do interior e do litoral. O levantamento foi feito com base em notícias publicadas na imprensa. A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo não está contabilizando os números da onda de violência. A reportagem solicitou dados à assessoria de imprensa da PM, mas ainda não obteve um retorno.

No total, a onda de violência já fez pelo menos 30 vítimas: o número inclui oito policiais militares mortos fora de serviço; 13 pessoas mortas em chacinas com indícios da atuação de grupos de extermínio; e outros dez suspeitos mortos em confronto com a PM, segundo a própria corporação.

A PM diz que quatro destes suspeitos participaram de homicídios de policias militares e foram mortos em confrontos com a polícia. No total, 34 pessoas foram presas acusadas de participação em homicídios de PMs.

A Corregedoria da PM e o DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) investigam se as chacinas foram uma ação de policiais em resposta às morte dos colegas. Também existe a suspeita de que grupos estejam aproveitando a escalada de violência para matar criminosos rivais.

Segundo levantamento da Folha de S. Paulo, o número de homicídios nos finais de semana triplicou após o início da onda de violência.

Últimos casos

Os ataques e crimes distribuem-se por várias regiões da Grande São Paulo, mas concentram-se nas zonas leste e sul da capital, além de municípios adjacentes, como Taboão da Serra e Ferraz de Vasconcelos.

No interior, a casa de um PM foi furtada e incendiada em Itapeva, na madrugada de ontem (2). Em Itapetininga, criminosos dispararam contra uma base e um carro da PM depois de explodirem dois caixas eletrônicos. Em Pirapora do Bom Jesus, na Grande São Paulo, uma base da Guarda Civil Municipal foi atacada a tiros. Desde sexta (29), ônibus foram incendiados nos bairros de Cangaíba (zona leste da capital) e Jardim Ângela (zona sul), e nas cidades de Ferraz de Vasconcelos e Guarulhos.

No sábado (30), um policial militar foi morto dentro do carro na região da Freguesia do Ó, durante um suposto assalto.

Nas madrugadas de ontem e hoje, quatro suspeitos morreram em dois casos de troca de tiros com a Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), ambos ocorridos na avenida Sapopemba. Segundo a PM, nos dois casos os suspeitos dirigiam veículos roubados e entraram em confronto com os policiais.

Outros dois suspeitos morreram em condições semelhantes em São Bernardo do Campo, região do ABC, e no Grajaú, na zona sul.


PCC

As investigações não descartam a possibilidade de que os ataques sejam uma represália da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) a uma operação da Rota em maio, no qual seis supostos integrantes do grupo morreram --um deles foi morto à queima roupa, após sofrer tortura. A polícia trabalha com a possibilidade de os ataques serem uma resposta à transferência de um dos chefes do PCC para outra penitenciária.

Os fatos recentes lembram a onda de ataques de maio de 2006, quando o PCC iniciou uma série de atentados em represália à transferência de seus principais líderes para presídios situados fora de São Paulo e também à implantação do RDD (Regime Disciplinar Diferenciado) nas cadeias do Estado. Na ocasião, cerca de 450 pessoas morreram no Estado, sendo 40 policiais.

A Polícia Militar informou que está realizando operações em todo o Estado, "com o objetivo de prevenir a ocorrência de atos ilícitos e de desordem por parte de infratores da lei, quer de forma isolada ou coletiva". Já a SPTrans --empresa que administra as cooperativas de transporte da capital-- informou que está em contato permanente com o comando da PM "para preservar a segurança dos usuários do sistema de transporte".

Já o secretário de Segurança Pública do Estado, Antonio Ferreira Pinto, disse em entrevista ao jornal “O Estado de S.Paulo” que a situação estava “sob controle”. Em meio à crise, o secretário foi a Buenos Aires para assistir à primeira partida da final da Taça Libertadores, disputada entre o time argentino Boca Juniors e seu time, o Corinthians. Ao jornal, Pinto confirmou que esteve na Argentina e disse que havia tirado licença oficial de dois dias para viajar.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou na última quarta-feira (27) que aqueles que "enfrentarem a polícia vão levar a pior". "Os criminosos serão presos. E, se enfrentarem a polícia, vão levar a pior. Essa é a ordem, e o governo não retrocede um milímetro nesse trabalho", disse.

 

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