Novo suposto ataque de tubarão mata universitário e pode mudar acesso ao mar em Pernambuco

Aliny Gama*
Do UOL, em Maceió

  • Reprodução Google Maps

    Mapa mostra faixa de 20 km no litoral do Recife (PE) onde ocorrem os ataques de tubarões

    Mapa mostra faixa de 20 km no litoral do Recife (PE) onde ocorrem os ataques de tubarões

A morte de um estudante universitário ocorrida na praia de Enseada dos Corais, em Cabo de Santo Agostinho (47,5 km de Recife), abriu um novo alerta para o problema de ataques de tubarão que ocorrem desde 1992 na orla pernambucana.

O estudante desapareceu no último domingo (26), durante um banho de mar. O corpo de Tiago José de Oliveira da Silva, 18, foi encontrado nesta terça-feira (28) por pescadores na praia de Itapuama com várias marcas de mordidas de animal marinho.

O local em que o universitário desapareceu não está na área delimitada de proibição de banhistas devido aos ataques de tubarão. Até hoje, sem contar o possível novo caso, 54 pessoas foram vítimas, com 20 mortes, numa área de 20 km de praia, que inicia na praia Del Chifre, em Olinda, e vai até o norte de Itapuama, em Cabo de Santo Agostinho.

Segundo dados preliminares do IML (Instituto Médico Legal) de Recife, o corpo está sem uma das pernas, com vários ossos a mostra apresenta várias mordidas de um animal marinho de grande porte.

O resultado do exame que vai definir a causa da morte do jovem ainda não saiu, mas segundo o Cemit (Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões), caso seja comprovado que ele morreu vítima de ataque de tubarão, a área de proibição de banhistas ao mar deverá ter uma nova delimitação.

Novas medidas

"Não é normal a existência de incidentes com tubarão em Enseada dos Corais, porque não está dentro da área de proibição e nunca ocorreu ataques lá. Mas também não podemos descartar a possibilidade, que deverá ser comprovada ou não com o resultado da necropsia no corpo do rapaz feito pelo IML", afirmou a presidente do Cemit, Rosângela Lessa.

Na tarde desta quarta-feira (29), integrantes do Cemit vão se reunir para discutir o assunto. "Vamos nos reunir para deliberar novas medidas caso seja comprovado o ataque de tubarão. Mas, o rapaz também pode ter morrido vítima de afogamento e depois que o corpo pode ter sido atacado depois por animais marinhos. Ele ficou dois dias desaparecido e isso é muito comum ocorrer porque estava submerso", explicou Lessa.

A oceanógrafa alerta que os banhistas devem ficar atentos. "Aqui em Pernambuco existe essa área de maior incidência comprovada de ataques de tubarão a banhistas, mas vale ressaltar que as pessoas devem ter cuidado ao adentrar no mar porque em qualquer lugar não do Brasil e do mundo não podemos descartar o perigo de ataques de animais marinhos. Em Enseada existe um paredão de corais, mas ele não é completo e isso também não garante segurança total", afirmou a oceanógrafa.

Enterro e protesto

O corpo do universitário, que cursava administração de empresas, será enterrado no Cemitério de Santo Amaro, em Recife, na tarde desta quarta-feira (29). A família do jovem criticou a ação do Corpo de Bombeiros afirmando que o resgate do jovem demorou a ser feito porque só existia um salva vida na área que o rapaz desapareceu.

Segundo a família, Tiago saiu na tarde do domingo na companhia da irmã e do cunhado para ir à praia. Os sobreviventes relataram que no momento em que tomavam banho de mar as águas estavam agitadas já na altura da cintura – quando Tiago foi arrastado e desapareceu em alto mar.

A reportagem do UOL entrou em contato com o comando de operações do Corpo de Bombeiros de Pernambuco, mas foi informada de que o coronel Daniel Ferreira, responsável pelo setor, estava em reunião e não poderia comentar o assunto. (*Com informações do NE10.)

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