PM admite erro e diz que capitão de UPP no Rio não será mais substituído

Júlio Reis
Do UOL, no Rio de Janeiro

  • Fernando Alvim/Futura Press

    Material apreendido durante a operação Catedral

    Material apreendido durante a operação Catedral

Depois de ter decidido pelo afastamento do comandante da UPP do Morro da Providência, capitão Glauco Schorcht, o comando da Polícia Militar no Rio de Janeiro voltou atrás na noite de quinta-feira (30) e anunciou que ele não será mais substituído.

A PM havia considerado que, como chefe da UPP, Schorcht não estaria desempenhando bem seu papel. Porém, de acordo com a corporação, após análise de documentos que deram origem às investigações da "Operação Catedral", que prendeu 18 policias na quarta-feira (29) por envolvimento com contraventores, ficou esclarecido que Schorcht colaborou para a identificação de alguns dos envolvidos.

Além disso, pesou para a nova decisão o fato de que os policias militares presos não estavam mais lotados no efetivo da UPP da Providência, além da consideração de que o capitão vem sendo bem avaliado na condução da UPP, da qual está à frente desde sua inauguração, em abril de 2010.

A mudança será publicada no boletim desta sexta-feira (31) da corporação. Antes, o nome do capitão Felipe Lopes Magalhães, que comandava a UPP Babilônia e Chapéu Mangueira desde junho de 2009, havia sido designado para assumir o comando da UPP da Providência. A mudança no comando do 5° Batalhão da Polícia Militar, no entanto, continua valendo, e o tenente-coronel Sydney Camargo de Melo deve assumir o posto no lugar do coronel Amaury Simõesque foi exonerado do cargo.

Na quarta-feira (39) o Ministério Público do Estado denunciou à 33ª Vara Criminal da Capital 35 pessoas pelos crimes de exploração ilegal de jogo de azar, formação de quadrilha, corrupção passiva e ativa e violação de sigilo funcional. A Justiça expediu 24 mandados de prisão e 30 de busca e apreensão, e 18 foram presos durante a operação.

De acordo com a denúncia, os criminosos faziam pagamentos mensais e em dinheiro para policiais civis e militares. Entre os denunciados, estão Evandro Machado dos Santos, o "Bedeu", que seria o chefe do grupo; seu filho Alessandro Ferreira dos Santos; o capitão Anderson Luiz de Souza, e os sargentos Marcos Aurélio das Chagas, o "Chagas", e Marcos André dos Santos, o "André", todos do 5º BPM (Praça da Harmonia); e o inspetor Weber Santos de Oliveira, da 4ª DP (Central do Brasil).

Weber, que era chefe do serviço de inteligência da 4ª DP, receberia cerca de R$ 16 mil por mês, segundo as investigações. Ainda de acordo com a denúncia, a propina paga para a segurança dos pontos do bicho e pelo vazamento de informações sobre operações policiais variava entre os R$ 16 mil pagos ao policial civil, mais R$ 9.500 pagos ao chefe do serviço reservado do 5º BPM, e R$ 75 semanais pagos a policiais militares. As informações são da Secretaria Estadual de Segurança Pública.

O delegado titular da 4° DP, Henrique Pessoa, também foi afastado como medida administrativa pela chefe da Polícia Civil, Martha Rocha, após ela ter tomado ciência da prisão do chefe do Grupo de Investigações Criminais (GIC) da delegacia, inspetor Weber.

"Estes denunciados formaram uma organização voltada para a exploração ilegal de jogo de azar não autorizado conhecido como 'jogo do bicho', atuando nas áreas dos bairros da Central do Brasil, da Gamboa, da Saúde e parte de São Cristovão. (...) Para a realização da atividade ilegal do jogo, a organização atua corrompendo agentes públicos, em especial policiais civis e militares, para que estes não realizem seu dever de ofício, ou seja, a repressão ao jogo do bicho", narra trecho da denúncia do MP.

"Além disso, a organização conta com diversos integrantes, que, sem autorização legal ou regulamentar, usam armas de fogo para exercer a segurança dos chefes e dos 'pontos do jogo do bicho', bem como dar proteção ao transporte dos valores arrecadados com o jogo e que se destinam ao pagamento da corrupção", completa.

A propina paga à polícia também garantia, de acordo com o MP, o funcionamento de pontos do jogo do bicho na região do morro da Providência, favela que possui uma UPP. As informações foram coletadas pela Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança por meio do monitoramento dos terminais telefônicos narrados na denúncia.

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