Movimento "Revolta do Busão" protesta contra aumento da tarifa em Natal e entra em confronto com a polícia

Elendrea Cavalcante
Do UOL, em Natal

  • Reprodução/Facebook

    Imagem do grupo do Facebook da "Revolta do Busão"

    Imagem do grupo do Facebook da "Revolta do Busão"

O aumento da passagem de ônibus em Natal no último dia 28 de agosto de R$ 2,20 para R$ 2,40 tem deixado usuários do transporte coletivo indignados, e para protestar contra isso, foi criado o movimento "Revolta do Busão".

Desde o dia 29, a sociedade tem se organizado em movimentos para que a tarifa volte ao preço anterior. Porém, um conflito entre manifestantes e policiais --chamados para manter a ordem-- tem gerado polêmica. De um lado, os manifestantes afirmam que foram agredidos com bombas de efeito moral, balas de borracha e spray de pimenta pelos policiais, e só após a polícia começar a arremessar as bombas é que teriam reagido com pedras. Já a polícia afirma que só agiu depois de perceber que uma parte do grupo estava depredando ônibus e prejudicando o trânsito.

O conflito ocorreu no dia 29 de agosto, na avenida Salgado Filho, uma das mais movimentadas de Natal. A ideia dos manifestantes era seguir até a esquina desta avenida com a Bernardo Vieira, porém antes de chegarem ao ponto combinado, a polícia já estava posicionada para impedir a passagem.

Vídeos postados na web mostram os policiais jogando as bombas em direção aos manifestantes, que começaram a revidar depois de um tempo com pedras. Outro vídeo mostra uma parte dos manifestantes ateando fogo, pichando ônibus e muros.

A coordenadora de Administração, Finanças e Carteiras de Estudantes do DCE (Diretório Central de Estudantes) da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), Danyelle Guedes, disse que o vídeo que mostra os estudantes ateando fogo e pichando é real, mas salientou que as pessoas que aparecem nas imagens fazem parte de um pequeno grupo difícil de controlar. "O movimento é horizontal. Não há lideranças. Toda a convocação dos participantes foi feita pelas redes sociais. Infelizmente, um grupo se exaltou", afirmou.

O movimento se organiza, prioritariamente, por um grupo fechado no Facebook.

O estudante de jornalismo da UFRN, Marcelo Lima, está com uma marca no olho direito e disse que foi resultado dos estilhaços de uma das bombas que os policiais militares jogaram. "Não é verdade que a ação da polícia foi uma reação. A bomba que foi lançada na minha direção caiu a cerca de 15 metros de onde eu estava e os estilhaços foram para o meu rosto. Mesmo com o rosto machucado, esperei o movimento acalmar para conversar com os policiais e saber quem eram os responsáveis pela ação. Como não obtive resposta, insisti no questionamento  e me prenderam por desacato a autoridade. Fui colocado dentro de uma viatura da polícia, onde ficam assassinos, ladrões e levado para a delegacia. Lá, eu e os policiais fomos ouvidos. Depois, fiz exame de corpo delito. No fim das contas, vou ter que comparecer a uma audiência no próximo dia 11 para tratar do caso", contou. O universitário afirmou que vai procurar a Corregedoria da Polícia e o Ministério Público para denunciar o ocorrido.  

O subcomandante de policiamento metropolitano da Polícia Militar, coronel Alarico Azevedo disse que assim que soube do movimento, a polícia se dirigiu ao local com o intuito de evitar transtornos maiores. "Agora, eu vi e todo mundo viu ônibus e carros depredados e o patrimônio público sendo destruído. E já que não foram todos os manifestantes que saíram depredando, onde estavam os líderes do movimento para conter os que estavam depredando? Porque se o objetivo ali era reivindicar, alguém criou isso primeiro, alguém criou o desejo de se manifestar primeiro. Tem que haver líder. Se 750 pessoas não conseguem conter outras 50, é difícil. Era preciso agir", disse. Segundo ele, aqueles que se sentirem prejudicados, podem procurar a Corregedoria, os órgãos responsáveis. 

O empresário Mário Antunes, 38, viu o manifesto e disse que se sentiu prejudicado por causa da confusão no trânsito. "Não sou contra os manifestos. Acho que todos devem lutar pelo que consideram justo, porém sem prejudicar o fluxo de veículos".

Outro manifesto por conta do aumento da passagem ocorreu no dia 31 de agosto. Este, porém, não contou com a intervenção da polícia, mas resultou no encerramento antecipado das atividades da prefeitura neste dia.

A coordenadora de Finanças e Carteiras de Estudantes do DCE informou que o grupo se reuniria ainda nesta segunda-feira (3) para discutir os próximos passos no protesto de aumento da tarifa. Uma mobilização na Câmara Municipal de Natal está marcada para a manhã desta terça-feira (4). 

Este é o terceiro aumento de tarifa do transporte coletivo desde o início da gestão da prefeita Micarla de Sousa (PV). Até agora, o aumento já foi de 29,7%.

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