Sindicatos acatam decisão de tribunal, e funcionários dos Correios põem fim à greve

Do UOL, em São Paulo

A Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares) acatou a decisão do TST (Tribunal Superior do Trabalho) e deve pôr fim à greve dos funcionários dos Correios nesta quinta-feira (27). Segundo James Magalhães, secretário de imprensa da federação, os trabalhadores vão voltar à atividade a partir desta sexta-feira (28).

O TST determinou que os funcionários dos Correios voltem ao trabalho a partir desta sexta (28), de acordo com o horário de cada funcionário. Os ministros da Seção de Dissídios Coletivos decidiram também que os trabalhadores deverão compensar os dias parados com trabalho extra em até seis meses.

"Não foi o que a gente queria, mas também não foi da forma como eles [os Correios] queriam", afirmou James.

Se o trabalho não for retomado, será aplicada multa de R$ 20 mil por dia. Os ministros do TST decidiram ainda que os trabalhadores terão um aumento de 6,5% retroativo a agosto. Os Correios tinham proposto reajuste de 5,2%, mas a ministra Kátia Arruda, relatora do processo de dissídio ajuizado pela empresa, aumentou o percentual, para "preservar minimamente o poder aquisitivo dos trabalhadores".

A proposta inicial da Fentect era de 43,7% de reajuste salarial, aumento linear de R$ 200, tíquete-alimentação de R$ 35 e a contratação de 30 mil trabalhadores, entre outras reivindicações.

O presidente do TST, João Oreste Dalazen, ressaltou que os empregados dos Correios têm um dos salários mais baixos entre todas as empresas públicas federais. "Há uma falta de atrativos na carreira que não podemos perpetuar."

Os ministros decidiram que greve não é abusiva, porque foi comunicada com antecedência pelos empregados à empresa. Também foi determinada a formação de uma comissão com representantes da empresa e dos empregados para debater a adaptação do plano de saúde oferecido atualmente às normas da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Segundo os Correios, cerca de 11.800 funcionários aderiram à greve até esta quinta (27), o que representa 9,8% dos 120 mil funcionários da empresa. Por sua vez, a Fentect, que reúne 31 sindicatos filiados, estima que o percentual de adesão foi entre 40% e 50%.

Os sindicatos de base de São Paulo, Rio de Janeiro, Bauru e Tocantins romperam com a Fentect e negociaram diretamente com os Correios. A empresa diz que os sindicatos de São Paulo e Rio de Janeiro representam 40% dos funcionários.

Para os Correios, a estimativa é normalizar a entrega com a realização de um mutirão no próximo fim de semana (dias 29 e 30). Da carga dos últimos seis dias de paralisação, 89,8% foi entregue no prazo, o que equivale a 191,3 milhões de cartas e encomendas, segundo a empresa.

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