Canil com cães de grande porte é abandonado em Bauru, vira caso de polícia e mobiliza pessoas no exterior

Sérgio Pais
Do UOL, em Bauru (SP)

  • Calil Neto/www.calilneto.com/www.facebook.com/CalilNetoFotografias/Divulgação

    Canil com cães de grande porte é abandonado em Bauru (SP); animais sofriam maus-tratos

    Canil com cães de grande porte é abandonado em Bauru (SP); animais sofriam maus-tratos

Um canil que abrigava cerca de 70 cães de grande porte no distrito de Tibiriçá, em Bauru (a 329 km de São Paulo), virou caso de polícia e provocou uma mobilização pelas redes sociais que já ultrapassou fronteiras e ganhou repercussão internacional.

No último dia 10, o delegado Dinair José da Silva, titular da Delegacia do Meio Ambiente de Bauru, instaurou inquérito policial para apurar supostos maus tratos praticados por Fabiano Patrício de Lima, apontado como dono do canil e responsável pelos cães. Em dezembro, o canil foi autuado pela segunda vez pelo Centro de Controle de Zoonoses depois que agentes encontraram cães debilitados e em precárias condições de saúde e higiene.

Ainda em dezembro, um oficial de justiça foi ao local para cumprir uma ordem de despejo por falta de pagamento de aluguel contra o dono do canil, que não foi encontrado na chácara, pertencente à zoóloga Ana Maria Vieira. Fabiano desapareceu, deixando os cães abandonados, sem cuidados e alimentação.

Um dia após a instauração do inquérito, a Justiça determinou a apreensão dos 52 animais do canil –alguns deles morreram nesse período– e o delegado determinou que a dona da chácara ficasse como fiel depositária desses cães durante 30 dias, prazo que pode ser prorrogado. O inquérito também tenta apurar, junto ao Poder Público, se Fabiano possuía alvará para manter o canil.

Somente nesta quinta-feira (24) Fabiano se apresentou à Delegacia do Meio Ambiente, acompanhado de seu advogado. Em depoimento, negou os maus tratos e afirmou que a dona da chácara o impediu de entrar no local para retirar os animais. Sobre seu "sumiço" e a demora em se apresentar, disse que passou algum tempo na casa de familiares, na capital paulista. O UOL tentou contato com Ana Maria Vieira, dona do local, mas ela não retornou as ligações.

O delegado, porém, garante que o inquérito aponta para a culpa do investigado. "Ele [Fabiano] nega as lesões nos animais e o abandono, mas os laudos e o próprio inquérito atestam o contrário. Além disso, é reincidente neste tipo de acusação", declara Dinair da Silva, referindo-se a um termo circunstanciado aberto contra Fabiano em 2011, também por maus tratos a animais. Também procurado pelo UOL, o advogado de Fabiano não atendeu ao telefone.

O delegado tem mais 15 dias para concluir o inquérito, prazo que pode ser prorrogado caso haja necessidade de novas diligências. A pena prevista para o antigo dono do canil, que teria também abandonado os animais, é de três meses a um ano de detenção.

Mobilização

Com o anúncio de que mais de 50 animais estariam abandonados em uma chácara, começava uma grande mobilização pelas redes sociais para salvar os animais. A empresária Leandra Marquezini, 37, integrante de uma ONG de proteção animal, conta que o Facebook foi a principal ferramenta de mobilização em prol do salvamento dos cães abandonados.

  • Calil Neto/www.calilneto.com/www.facebook.com/CalilNetoFotografias/Divulgação

    Voluntários ajudam a cuidar de canil abandonado em Bauru (SP) que virou caso de polícia

Segundo ela, a campanha em pouco tempo tomou grandes proporções a ponto de pessoas de outros países a procurarem para buscar informações e oferecer ajuda. Leandra é uma das coordenadoras de um grupo de cerca de 30 voluntários que se revezam diariamente nos trabalhos na chácara, localizada no quilômetro 361 da rodovia Marechal Rondon, próxima a Bauru.

Os voluntários, entre eles alguns veterinários, integrantes de ONGs de proteção animal e simpatizantes da causa, fazem os trabalhos de alimentação dos animais, limpeza das baias e atendimento médico aos cães doentes. "Tem gente que abandonou suas férias de janeiro para ajudar. Faça chuva ou faça sol, estamos todos os dias lá", conta Leandra.

Ela ressalta que o grupo de voluntários não coleta dinheiro como ajuda. "O que precisamos é de muita ração, remédios, guias, comedouros e, claro, de pessoas dispostas a ajudar nos trabalhos, que incluem limpeza do local e até mesmo passeios com os animais", conta a protetora.

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