Nível do rio Madeira sobe, e Porto Velho entra em estado de alerta

Assem Neto
Do UOL, em Porto Velho

  • Divulgação/Corpo de Bombeiros

    Povoado de Porto Velho é ameaçado por alta do nível do rio Madeira

    Povoado de Porto Velho é ameaçado por alta do nível do rio Madeira

A Prefeitura de Porto Velho decretou situação de alerta por causa da elevação do nível do Rio Madeira. "Atingimos o nível crítico, infelizmente", disse o coordenador da Defesa Civil do município, tenente-coronel José Pimentel. Cinquenta famílias residentes em áreas de risco são monitoradas a cada 12 horas. Em quatro dias, houve pique e repique que variaram de 18 cm a 22 cm.

O alerta é decretado quando as cheias apontam a marca de 14 metros. Por volta de 14h desta terça-feira (12), de acordo com medições atualizadas, o nível do Madeira atingia 15,12 metros, faltando menos de 90 centímetros da cota de emergência, que obrigaria novo decreto com pedido de socorro ao Estado e ao governo federal.

Os distritos portovelhenses de Nazaré, Calama, São Carlos e Demarcação apresentam desbarrancamentos graves, ainda segundo o Corpo de Bombeiros, impondo risco a casas, comércios e aos ribeirinhos. A completa alagação dos reservatórios das usinas de Girau e Santo Antônio empurram volumes de água à cidade. O rio Abunã também já atinge regiões baixas de cidades, como Jaci-Paraná (100 km de Porto Velho).

Uma inspeção está programada para o próximo sábado (16) nessas localidades. Outras equipes da Defesa Civil iniciaram vistorias em três regiões populosas da capital: Triângulo, Baixa União e Bairro Nacional - resultados de invasões onde não chega água tratada e a energia elétrica não é legalizada. 

O Sipam (Sistema de Proteção da Amazônia) prevê "chuva abundante" para até o mês de abril, quando se encerra o inverno amazônico. O prefeito de Porto Velho, Mauro Nazif (PSB), pede a colaboração das famílias em risco de serem atingidas. "Que fiquem atentas e nos ajudem informando sobre a elevação das águas, assoreamento do rio e rachaduras e suas casas". A prefeitura não vê necessidade, ainda, de preparar abrigos públicos.

Famílias protestam

A costureira Solange Benedita (43) diz lamentar ter que abandonar a palafita onde mora com dois filhos. "A mobília é nova. Isso é desumano", afirmou. Moradores que podem ser atingidos pelas cheias buscam união para cobrar do poder público moradias dignas.

Eles afirmam que ao menos 5.000 habitações populares estão inacabadas na capital. São apartamentos de dois quartos, com sala e banheiro, financiados pelo Ministério das Cidades. O projeto original contemplaria os desabrigados do rio Madeira em 2011.

As construções estão invadidas por supostos sem-teto, e a Procuradoria Geral do Município já tem ordem judicial de reintegração de posse a cumprir. As construtoras alegaram falência, e o Tribunal de Contas do Estado determinou nova licitação. "Não vi um vereador aqui desde janeiro", afirmou Maria Pedrina.

Rio Negro atingiu nível recorde em 2012
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