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No RJ, Cremerj flagra idoso atendido em estante com lata de lixo em hospital municipal

Idoso é atendido em cima de uma estante e próximo a uma lixeira no Hospital Salgado Filho, no Rio - Cremerj
Idoso é atendido em cima de uma estante e próximo a uma lixeira no Hospital Salgado Filho, no Rio Imagem: Cremerj

Julia Affonso

Do UOL, no Rio

17/05/2013 19h56

Um relatório divulgado pelo Cremerj (Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro), na quinta-feira (9), sobre as condições do Hospital Municipal Salgado Filho, no Meier, zona norte do Rio de Janeiro, verificou problemas na unidade, como superlotação e falta de médicos.

A visita foi feita no dia 20 de fevereiro e flagrou, além destas questões, um idoso sendo atendido em cima de uma estante, próximo a uma lata de lixo.

"A superlotação, além de desrespeitar a dignidade humana, aumenta o risco de infecção hospitalar, já que pacientes com diversas patologias , incluindo suspeitas de tuberculose e meningite, compartilhavam o mesmo espaço físico", diz o relatório da médica fiscal do Cremerj, Simone Assalie.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a Prefeitura do Rio administra seis grandes hospitais de emergência e, em cinco deles, houve diminuição do tempo de espera por atendimento em 50% e, de acordo com próprio planejamento, o Salgado Filho será o próximo a receber as melhorias já implantadas nas outras unidades da rede.

"Em 2012, somente no HMSF, a Secretaria investiu mais de R$ 6 milhões em obras e equipamentos, melhorando sua estrutura. As melhorias no hospital só estarão concluídas após a instalação da Coordenação de Emergência Regional (CER), ao lado da unidade, que estará em funcionamento ainda nesta gestão. É importante destacar que o Salgado Filho trabalha com política de portas abertas e conta com serviço de classificação de risco, no qual todos os pacientes são avaliados e o atendimento é feito conforme a gravidade. Desta forma, pode haver demora pontual nos casos de menor gravidade", diz a nota.

A avaliação do Conselho considerou que a falta de médicos é crítica, principalmente nas áreas de clínica médica e neurocirurgia. O relatório indicou ainda que, mesmo com a falta de médicos, o hospital continua recebendo pessoas em estado grave, e que esta situação pode estar contribuindo para a elevação do número de óbitos por falta de assistência adequada aos pacientes internados.

Além da falta de médicos, a fiscalização encontrou 52 pacientes internados na sala de observação, onde a capacidade é de 14 leitos; 15 pacientes em macas ou cadeiras, nos corredores; e nove pessoas na sala de trauma, onde há quatro leitos disponíveis. Na UPG (Unidade para Pacientes Graves), com 13 pacientes internados em tratamento intensivo, não havia médicos. Pela resolução do Cremerj, seriam necessários ao menos dois plantonistas.

Segundo o Conselho, na unidade havia quatro clínicos plantonistas, em vez dos seis necessários, responsáveis pelas 52 pessoas internadas na observação, pelas 13 na UPG, pelas nove na sala de trauma e mais todos os pacientes que chegavam à emergência --setor que Cremerj acredita receber entre 200 e 300 pessoas diariamente.

"Na emergência, de uma forma geral, verificamos que os pacientes estavam internados usando lençóis e cobertores próprios, pois não havia rouparia suficiente para todos. Os banhos estavam sendo realizados à beira do leito, sem proteção por biombo ou cortina, já que os pacientes ficam internados lado a lado e não há espaço para proteger sua privacidade",  afirma o documento do Conselho.

O Hospital Salgado Filho é o mesmo onde uma menina esperou por oito horas para ser socorrida, pois o médico havia faltado ao plantão para o qual estava escalado, no dia 25 de dezembro de 2012. A criança ficou internada, mas acabou morrendo no dia 4 de janeiro deste ano.