Greve de ônibus afeta 1 milhão de passageiros em Porto Alegre

Flávio Ilha
Do UOL, em Porto Alegre

  • Itamar Aguiar/Futura Press

    Protesto em Porto Alegre (RS) paralisa transporte público e bloqueia rodovias na manhã desta quinta

    Protesto em Porto Alegre (RS) paralisa transporte público e bloqueia rodovias na manhã desta quinta

A região metropolitana de Porto Alegre amanheceu sem transporte público na manhã desta quinta-feira (11) em função dos protestos que mobilizam centrais sindicais e dezenas de movimentos sociais por todo o país.

Na capital, as garagens dos ônibus foram tomadas por sindicalistas já de madrugada e nenhum ônibus circulou, contrariando determinação da Justiça de manter 50% da frota entre 6h e 9h.

A jornada de protestos, chamada Dia Nacional de Lutas, foi decidida em meio à onda de manifestações que se espalharam pelo país no mês de junho.

Ônibus que tentaram furar o bloqueio dos manifestantes foram apedrejados. Segundo a Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP), um milhão de pessoas usam o transporte coletivo em Porto Alegre diariamente. Segundo a entidade, a frota não circulou devido ao risco de vandalismo.

Lotações estão operando com tabela de domingo, com apenas metade da frota. Táxis também estão com funcionamento restrito devido ao risco de depredações.

Pauta de reivindicações das centrais sindicais

Redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas;

Fim do fator previdenciário;

10% do PIB (Produto Interno Bruto) para educação;

Investimentos em saúde conforme disposto na Constituição;

Fim dos leilões do petróleo;

Redução de tarifas e melhorias no transporte público;

Rejeição do Projeto de Lei 4330, que amplia as terceirizações;

Realização da reforma agrária

Na rodoviária de Porto Alegre o contingente foi reduzido em mais de 70% devido às manifestações que bloquearam vias na entrada da cidade.
O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) informou que vai aguardar o final do dia para avaliar a extensão da greve.

Em caso de descumprimento da determinação de frota mínima, a multa estabelecida pela juíza Rosane Serafini Casa Nova é de R$ 50 mil --tanto para o sindicato dos rodoviários quanto para a associação das empresas.

A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) tentou um acordo com os grevistas, mas optou por impedir a circulação de ônibus devido ao risco de vandalismo.

Segundo a EPTC, o movimento do tráfego nas ruas de Porto Alegre na manhã desta quinta foi reduzido a 50% de um dia normal devido à paralisação do transporte.

A determinação da Justiça prevê que a frota seja de 50% também entre 16h30 e 19h30, mas as empresas não garantiram a retomada do transporte à tarde.  Nos demais horários o serviço deve ser oferecido em pelo menos 30% da frequência normal.

Nas cidades da região metropolitana também não há ônibus circulando. Apenas as linhas municipais de Esteio e Sapucaia do Sul, além de Novo Hamburgo, estão com alguns veículos em operação. As linhas intermunicipais foram suspensas a partir das 4h.

Trens também não circulam

Os trens metropolitanos também não estão circulando. Depois que duas composições foram danificadas por vândalos nas estações Fátima e Mathias Velho, em Canoas, a Empresa de Trens Urbanos (Trensurb) antecipou em uma hora o horário de interrupção do serviço de transporte. Acordo entre trabalhadores e empresas previa circulação normal entre 5h30 e 8h30, mas as estações foram fechadas às 7h30.

Cerca de 300 mil pessoas usam o serviço por dia. Centenas de usuários foram surpreendidos pelo fechamento das estações e ficaram sem transporte, já que os ônibus interurbanos também não estão circulando.

A Trensurb informou que ainda vai avaliar se mantém ou não o acordo de oferecer trens normalmente entre 17h30 e 20h30.

Sem transporte, o comércio de Porto Alegre funciona parcialmente nesta quinta-feira. Os principais supermercados abriram com atraso pela manhã. Os shoppings funcionam parcialmente, devido à ausência de comerciários. Também não há aulas nas principais escolas e universidades da região metropolitana.

As centrais sindicais esperam pelo menos 20 mil pessoas numa concentração marcada para as 16h no Largo Glênio Peres, em frente à prefeitura. Os manifestantes vão se concentrar em quatro locais diferentes da cidade e fazer passeatas a partir do início da tarde.

O Bloco de Lutas pelo Transporte Público, que organizou as últimas mobilizações populares no Rio Grande do Sul, comunicou que está apoiando a greve geral das centrais sindicais.

Conheça as centrais que organizam as manifestações

Central Nº de sindicatos Nº de filiados Presidente/ coordenador Partido ligado Quanto receberam do imposto sindical*
CUT (Central Única dos Trabalhadores) 2.169 2,7 milhões Vagner Freitas, ligado aos bancários de SP PT R$ 45,7 milhões
Força Sindical 1.680 1,05 milhão Paulinho da Força, ligado aos metalúrgicos de SP PDT R$ 41,8 milhões
UGT (União Geral dos Trabalhadores) 1.044 848,9 mil Ricardo Patah, ligado aos comerciário de SP PSD e PPS R$ 26,6 milhões
NCST (Nova Central Sindical de Trabalhadores) 1.039 611 mil José Calixto Ramos, ligado aos metalúrgicos do Recife PMDB R$ 18,6 milhlões
CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) 624 695 mil Wagner Gomes, ligado aos metroviários de SP PC do B R$ 9 milhões
CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros) 363 242,3 mil Antonio Neto, ligado aos trabalhadores de processamento de dados de SP PMDB ----------
CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil) 281 226 mil Ubiraci Dantas Oliveira, foi ligado aos metalúrgicos de SP PPL ----------
CSP/Conlutas 85 177,5 mil José Maria de Almeida, ligado aos metalúrgicos de Betim (MG) PSTU e PSOL ----------
  • *Em 2012. As centrais reconhecidas pelo governo recebem imposto sindical
  • Fonte: "Folha de S.Paulo"

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