Traficante é preso em imóvel de luxo "camuflado" em favela de BH

Rayder Bragon
Do UOL, em Belo Horizonte

  • Polícia Civil de MG/Divulgação

    Terraço com churrasqueira na casa do traficante "Zóio", em Aglomerado da Serra, conjunto de favelas da região centro-sul de Belo Horizonte

    Terraço com churrasqueira na casa do traficante "Zóio", em Aglomerado da Serra, conjunto de favelas da região centro-sul de Belo Horizonte

A Polícia Civil de Minas Gerais prendeu uma quadrilha suspeita de ser uma das mais atuantes no tráfico de drogas no Aglomerado da Serra, conjunto de favelas da região centro-sul de Belo Horizonte. Um dos supostos integrantes mantinha um imóvel de alto padrão na construção interna, mas, por fora, aparentava as características de uma casa comum ao local de moradores de baixa renda.

Segundo a polícia, a intenção de Warley de Moura Pereira, o "Zóio", era a de não levantar suspeitas sobre a sua atividade, já que se apresentava como ajudante de açougueiro.

A residência continha material de acabamento de alto custo empregado no revestimento interior dos três andares. Ao todo, são quatro banheiros, duas salas, uma cozinha bem equipada, além de um terraço guarnecido com uma churrasqueira.

"Ele tinha uma casa muito luxuosa, mas por fora, ela não aparentava ser luxuosa, para manter o disfarce e passar despercebida. O interior dela é totalmente incompatível com a realidade das casas do Aglomerado da Serra", contou o delegado Samuel Neri, um dos responsáveis pela operação que resultou na prisão dos suspeitos.

Conforme o policial, além do interior da casa ter despertado a atenção dos investigadores, o suspeito preso mantinha um padrão de vida superior ao seu rendimento.

"Havia três televisores de alta definição, computador. Os móveis eram todos novos e caros. Ele tinha acabado de mobiliar a casa. Só em tênis, deveriam ter uns R$ 6 mil na casa, além de vários perfumes importados e roupas de marcas famosas. O padrão de vida dele era totalmente incompatível com a profissão que ele disser exercer", afirmou o policial.

Na casa, moravam o suspeito, a mulher e dois filhos. Com o grupo, foram apreendidos veículos, dinheiro e drogas. O delegado afirmou que vai pedir o sequestro do imóvel na Justiça.

O UOL não conseguiu localizar nenhum advogado que se apresentasse como defensor de Pereira.

Operação

Além de "Zóio", apontado como o "gerente" do grupo, mais quatro pessoas foram presas suspeitas de participar do esquema, que movimentava aproximadamente R$ 200 mil por mês com o tráfico, conforme informação da polícia.

Alguns deles já respondem por homicídio. As investigações sobre a ação do grupo duraram nove meses. Segundo a polícia, eles seriam os responsáveis também por ordenar que fosse ateado fogo a coletivos na região.

Em novembro do ano passado, ônibus foram incendiados após um morador da comunidade ter sido morto durante uma ação da Polícia Militar mineira no local.

Conforme a Polícia Civil, dois suspeitos ainda estão foragidos. Os presos deverão responder pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico.

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