Para polícia, ex-cunhado mandou matar família de estilista no Rio; dois são presos

Maria Luisa Melo
Do UOL, no Rio

  • Reprodução/Facebook

    O casal Rafany Pinheiro e Manuella Neves Boueri, sobrinha do estilista Beto Neves, foi assassinado em casa

    O casal Rafany Pinheiro e Manuella Neves Boueri, sobrinha do estilista Beto Neves, foi assassinado em casa

Dois suspeitos de envolvimento nos assassinatos da mãe, da sobrinha e do namorado da sobrinha do estilista da grife Complexo B, Beto Neves, no último dia 27 de agosto, em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro, foram presos por volta das 6h desta sexta-feira (11). Segundo as investigações da Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo, o crime foi ordenado pelo ex-cunhado do estilista, o empresário Michel Salim, que é procurado pela polícia.

De acordo com informações da Polícia Civil do Rio, os presos foram identificados como Romero Gil da Rocha e Pablo Medeiros. Rocha seria segurança de Salim, enquanto Medeiros é suspeito de ser o executor do crime. Ambos confessaram participação no crime durante depoimento na sede da especializada.

Em depoimento, Rocha disse ter pago R$ 100 mil para Medeiros executar as vítimas. O suspeito, no entanto, disse ter apenas dirigido o veículo, e que outra pessoa teria atirado nas vítimas. Ele deu a descrição de um homem que seria o quarto envolvido nas mortes e um retrato falado está sendo feito pela polícia. A participação deste quarto envolvido ainda está sendo investigada.

Durante entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira, o delegado Wellington Vieira informou que a motivação para o crime foi vingança. Michel Salim estava se sentindo incomodado pelo fato da ex-enteada interferir na visita dele a duas filhas que teve com Rosilene Neves. As crianças têm dez e 11 anos. A intenção de Salim, segundo os dois homens já presos, era "dar uma lição" na ex-mulher.

"O juiz determinou visitas vigiadas e nessas visitas e Manuella participava e discutia com ele [o padrasto]. Ela sempre atrapalhava os objetivos dele. Ele não estava conseguindo alcançar os objetivos dele, porque a Manuella batia de frente", explicou o delegado. "Além disso, a Manuella disse que as irmãs eram maltratadas pelo pai e as próprias crianças confirmaram que não gostavam do pai porque eram maltratadas."

Os envolvidos serão autuados por homicídio qualificado --motivo torpe, por terem preparado uma emboscada para as vítimas, que não tiveram chances de defesa. Durante a apresentação dos dois suspeitos, o estilista Beto Neves esteve na delegacia. "O caso só vai estar solucionado quando pegarem o mandante", disse. "A minha fé, o meu trabalho, os meus amigos e toda a minha espiritualidade me confortaram e me ajudaram a conseguir superar. Nem eu acreditava na capacidade de seguir. Mas eu tenho que acreditar na missão que me foi dada e eu tenho que seguir em frente".

No dia 27 de agosto, os corpos da mãe do estilista, Linete Neves, 70, da sobrinha  Manuela Neves, 22, e de seu namorado, Rafani Ribeiro, foram encontrados na casa da família. Linete e Manuela estavam na cama e, segundo perícia, cada uma levou dois tiros. O mesmo aconteceu com Rafani, que teve seu corpo encontrado no chão.

Ainda no início das investigações, o delegado Wellington Vieira informou que 40 boletins de ocorrência foram registrados em delegacias de Niterói e São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, contra o ex-padrasto de Manuela, Michel Salim, desde 2008. As queixas tratavam de agressões físicas e verbais. 

Em depoimento à polícia, o estilista Beto Neves contou que, algumas horas antes dos três serem encontrados mortos, já vinha tentando contato com a família por telefone, sem sucesso. Uma perícia feita no dia do crime não encontrou marcas de arrombamento no imóvel da família, e apenas um celular e cartões de crédito foram levados da residência.

O estilista vai pedir segurança à família depois da prisão dos dois suspeitos. Para o empresário, o sentimento é de alívio, mas ele ainda teme pela segurança dos familiares. "Ainda hoje eu vou conversar com o delegado para ver o se é possível conseguir uma segurança pelo menos para as crianças e para a minha irmã [Rosilene Neves, mãe de Manuella]. Eu não tenho medo de vingança, nem do Salim, só tenho medo da injustiça desse país. Meu medo maior é ele conseguir ser solto", disse o estilista.

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