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Sob efeito da multidão se transforma, diz delegado sobre suspeito no Rio

Suspeito de acender o rojão que matou o cinegrafista da Band conversa com seu advogado no aeroporto de Salvador - Reprodução/TV Globo
Suspeito de acender o rojão que matou o cinegrafista da Band conversa com seu advogado no aeroporto de Salvador Imagem: Reprodução/TV Globo

Gustavo Maia

Do UOL, no Rio

12/02/2014 11h29

O delegado responsável pelas investigações sobre a morte do cinegrafista da "Band" Santiago Ílidio Andrade, Maurício Luciano, da 17ª DP (São Cristóvão), disse que o suspeito de acender o rojão Caio Silva de Souza, 23, tem um jeito de ser na vida particular e outro quando está em grupo. Luciano acompanhou Souza no voo que o levou de Salvador para o Rio de Janeiro nesta quarta-feira (12), após sua prisão durante a madrugada em Feira de Santana (BA), a 100 quilômetros da capital baiana. 

Veja o momento em que o cinegrafista é atingido

"Ele é um cara tranquilo, cumprimenta a todos. No trabalho ficaram surpresos [com o envolvimento dele]. Caio na vida particular, sozinho, tem um jeito", afirmou. "Sob efeito da multidão se transforma e passa a agir de forma extremamente violenta."

Segundo o delegado, a mãe do jovem está desempregada e ele mostrou preocupação. Durante a viagem, pediu a Luciano que conseguisse uma assistente social para ajudar a mãe.

"É uma pessoa muito pobre, que talvez manipulada passe a agir assim. É de cortar o coração [a maneira] como ele vive", disse. "Tem um idealismo próprio da juventude. Fala da corrupção do país."

A mãe do jovem afirmou que o filho soltou o explosivo para fazer barulho durante uma manifestação contra o aumento das tarifas de ônibus, na última quinta-feira (6). Segundo ela, o filho não se apresentou à polícia, pois não tinha dinheiro para pagar um advogado. Ela disse ainda que fica triste pela família do cinegrafista, mas que o jovem não jogou o explosivo intencionalmente em Andrade.

"O que aconteceu foi um acidente. Poderia ter acontecido com qualquer filho de professor, de advogado liberal, com qualquer um lá. Foi um acidente e os fogos eram para fazer barulho", disse Marilene Mendonça em entrevista ao jornal "O Globo".

O suspeito se manteve em silêncio desde que foi preso. Segundo o responsável pela investigação, o jovem não admitiu ter soltado o rojão. "O Caio, assim que foi preso, não esboçou reação. Disse que não falaria a respeito do fato. Agora, sendo ouvido na delegacia manteve esse posicionamento. O Caio não admitiu nem negou o que lhe é atribuído", afirmou. "Mesmo sem confissão, as provas são contundentes."

Souza estava em uma pousada quando foi preso e, segundo o recepcionista Hergleidson de Jesus Moreira, deu entrada na tarde da terça-feira (11) com o nome de Vinícius Marcos de Castro, pagando uma diária. "Ninguém suspeitou de nada", disse.

Segundo o advogado Jonas Tadeu, que representa Souza, o jovem estava indo para a casa do avô no Ceará, foi convencido a interromper a viagem e desceu do ônibus em Feira de Santana. Em entrevista à "TV Globo", Tadeu afirmou não considerar que houve uma fuga e, sim, uma apresentação. 

"Não participam de grupo nenhum [black blocs]. É um jovem miserável financeiramente, de baixo discernimento, com ideais de uma sociedade melhor. São jovens aliciados, manipulados. Esses jovens foram municiados. Aquele rojão que matou, infelizmente, o cinegrafista foi entregue por quem indiretamente alicia esses jovens", afirmou o advogado. Ele disse não poder dizer, porém, quem são os aliciadores por sigilo profissional.

O chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso, afirmou que o inquérito será entregue à Justiça na próxima sexta-feira (14). "Há uma ordem de prisão cautelar expedida para o Caio Silva de Souza", disse. "Chegamos ao Caio via advogado. A diferença entre parar de fugir ou se entregar só o juiz vai avaliar."

PRINCIPAL SUSPEITO

  • Reprodução/TV Brasil

    Imagens da "TV Brasil" mostram um homem de camisa cinza e calça jeans correndo pela Central do Brasil. Para a Polícia Civil, ele foi o responsável por acender o rojão