Suspeita de matar o filho e a nora, mãe recarregou a arma, diz polícia

Julia Affonso
Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução/UOL

    Mariana Marques Rodella e o namorado Giuliano Landini em foto postada em uma rede social

    Mariana Marques Rodella e o namorado Giuliano Landini em foto postada em uma rede social

Uma pessoa quieta e apagada, que fazia anotações dispersas em pedaços de papel. A personalidade da médica Elaine Munhoz, 56, principal suspeita de ter atirado e matado o filho e a namorada dele e depois ter se suicidado, na manhã desta sexta-feira (7) no Alto da Lapa, em São Paulo, foi descrita pelo marido, Alexandre Landini, em depoimento na 91ª DP, na noite de ontem.

O revólver calibre 38 encontrado pela polícia nas mãos de Elaine não estava registrado. A médica teria disparado sete ou oito vezes, de acordo com o delegado-adjunto Daniel Cohen, da 91ª DP. Com capacidade para seis tiros, a arma foi recarregada em algum momento entre os disparos. A polícia investiga se o crime foi premeditado. O marido disse ao delegado não saber a procedência do revólver e afirmou abominar o uso de armas.

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O corpo do filho, Giuliano Landini, 25, foi encontrado na sala e o da namorada dele, Mariana Rodella, 25, no quarto do jovem. Ele foi atingido por três tiros, ela por dois e Elaine por um, na boca. Mãe e filho serão enterrados neste sábado (8), às 16h30, no Cemitério do Morumby. A namorada está sendo velada em São José do Rio Pardo, cidade natal da jovem. Segundo o boletim de ocorrência, o caso foi registrado como homicídio simples e suicídio consumado.

Pela casa da família, policiais encontraram uma luminária amassada e diversos papéis com frases dispersas. Deixados em diversos cantos do imóvel, eles foram recolhidos e levados para perícia.

"[A médica] fazia um índice cronológico, como se fosse conversar com o filho ou com o marido. 'Problemas: conversar', como se fosse dar uma palestra. Eram itens", disse o delegado.

Alexandre Landini contou à polícia que a médica estava em depressão desde o fim do ano passado e havia se consultado com um psiquiatra em quatro ou cinco sessões. O profissional que estava atendendo Elaine será ouvido pela polícia.

"[O marido] sabia que ela estava com problemas de depressão, que não estava bem. Ele estava aconselhando-a", disse Daniel Cohen. "Ela estava tomando alguns remédios. Segundo ele, ela era frágil de saúde, então, remédios fracos já faziam efeito."

A polícia informou ainda que a médica estaria descontente com um suposto mau desempenho do filho na faculdade de medicina. "Ela estava deprimida por conta da mudança de comportamento do filho. Ele não queria ir às aulas, mas sempre quis ser médico", disse Cohen.

Família

O filho de Elaine e a namorada estudavam medicina e namoravam há cerca de seis anos. A médica trabalhava como pediatra na UBS (Unidade Básica de Saúde) de Pinheiros, zona oeste da capital.

  • Diego Assis/UOL

    Condomínio de alto padrão em City Lapa, na zona oeste de São Paulo, onde ocorreu o crime

Companheiro de trabalho há nove anos, o clínico geral Rafael Criscuolo descreve a médica como uma pessoa alegre e competente. Ele conta ter encontrado a médica pela última vez na quinta-feira (27) de forma diversa. Ela estaria de folga depois do Carnaval. "Achei [Elaine] um pouco triste na semana passada", afirmou Criscuolo.

Na manhã de ontem, o marido teria começado a trabalhar quando recebeu uma ligação pedindo que voltasse ao apartamento, por volta das 9h. A empregada da casa havia chegado cerca de uma hora antes ao apartamento e ouviu uma discussão, seguida de tiros, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. Ela desceu para a portaria e chamou a polícia. Quando voltou, Giuliano já havia sido alvejado.

Elaine foi achada dentro do quarto do casal e com a porta trancada por dentro. Policiais tiveram que arrombá-la para entrar. Durante todo o dia, parentes chegaram ao prédio. Emocionados, se abraçavam chorando.

A perícia durou cerca de seis horas e às 16h30, os corpos foram levados para o IML. Logo depois, parentes e a polícia deixaram o prédio.

Na porta do edifício, permaneceu apenas o carro de Mariana, estacionado um dia antes, com seus pertences. Um jaleco, uma garrafa de água, uma orelha de Minnie colada, sob medida, na antena do rádio e um CD do cantor Chico Buarque.

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