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Alerj pede que deputada explique carona a ativistas em carro oficial

Do UOL, no Rio

22/07/2014 18h03Atualizada em 23/07/2014 09h29

A Corregedoria da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) encaminhou ofício ao gabinete da deputada estadual Janira Rocha (PSOL), nesta terça-feira (22), com a finalidade de cobrar explicações sobre a carona dada pela parlamentar, em veículo oficial, a três pessoas investigadas por supostos de atos de violência em manifestações, na segunda-feira (21).

Mais cedo, Janira confirmou que a advogada Eloisa Samy, 45, e David Paixão, 18, ambos considerados foragidos da Justiça, deixaram dentro de seu carro o Consulado do Uruguai, em Botafogo, onde os ativistas tiveram negado o pedido de asilo diplomático. No veículo, também estava a namorada de David, Camila Nascimento, que não integra o grupo de ativistas acusados.

Segundo informações do gabinete do corregedor da Alerj, deputado Comte Bittencourt (PPS), não há prazo para que a parlamentar do PSOL preste esclarecimentos. Em princípio, o ofício não significa que Janira terá de enfrentar um processo administrativo. A Corregedoria informou que só vai se manifestar a partir do momento em que a deputada apresentar a sua versão.

Ocorrência

A Polícia Civil do Rio de Janeiro também registrou ocorrência contra a deputada, por crime de favorecimento pessoal. Com base nas declarações da deputada, a 10ª Delegacia de Polícia (Botafogo) fez um registro de ocorrência para a presidência da Alerj e o Tribunal de Justiça sobre o crime de favorecimento pessoal (Artigo 348 do Código Penal), que teria sido cometido pela parlamentar.

Janira negou ter facilitado a fuga de Eloisa e Paixão. "Se alguém facilitou a fuga foi o Estado e sua polícia. A quem é dada a missão de prender pessoas? À polícia e ao Estado, e não a mim como deputada", afirmou. "Eu estive lá apoiando os ativistas e estaria de novo, independente das ameaças da Alerj [Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro] ou da polícia."

"Não cometi nenhum crime. Crime está cometendo o Estado, que não está garantindo o direito de defesa desses ativistas", completou Janira.

A deputada contou que estava no consulado para garantir que os ativistas não tivessem seus direitos violados. Por volta de 18h, segundo ela, a cônsul-geral Myriam Chalar informou que, após o governo uruguaio ter passado "o dia inteiro negociando com o ministério das Relações Exteriores do Brasil", chegou-se à conclusão de que o Uruguai reconhecia o Brasil como um estado democrático de direito e, portanto, não seria concedido o asilo.

"Ela (Eloisa) me pediu: 'A senhora me dá uma carona?' Saí pela porta da frente, onde havia inclusive uma viatura da PM. Não 'dei fuga' a ninguém", reforçou Janira. Ela contou ter deixado os três em São Conrado, na zona sul do Rio. (Com Estadão Conteúdo e Agência Brasil)